quinta-feira, 14 de abril de 2011

Programação atualizada

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CESA – CCHE
Mestrado de Comunicação, Linguagens e Cultura
Comunicação Social - Letras


Semana do Índio: A sociedade indígena e as fronteiras contemporâneas

Todos os anos, quando se aproxima o dia 19 de abril, o Dia do Índio, as escolas e a mídia logo se movimentam para "prestar uma homenagem ao "índio".
O grande problema desta história é que tanto a escola como a mídia, de uma maneira geral, falam de um índio genérico, como se fossem todos iguais, tivessem uma mesma cultura, falassem a mesma língua. Talvez fosse melhor dizer que dia 19 de abril é o dia dos Aikewára, dos Tembé, dos Mbyá-Guarani, dos Asuriní do Xingu, dos Ianomâmi, dos Maias, dos Incas...

Menina Aikewára / Foto Alda Costa
A Universidade da Amazônia reunirá pesquisadores, professores e alunos nos dias 18 e 19 de abril, com a finalidade refletir sobre a inserção das sociedades indígenas nas fronteiras contemporâneas. O evento faz parte do programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e dos cursos de Comunicação Social e Letras.

Campus BR
Auditório 01

Dia: 18/04/11
19:00 horas:
Mesa - redonda “As influências do Tupi-Guarani na cultura contemporânea”.
Apresentação: Profa. Ivânia dos Santos Neves
Apresentação:Profa. Vânia Torres
Prof. Dr. Félix Gerard Ibarra Prieto
Prof. Paulo Barradas - “A condição do Índio na Lei”
Representante Aikewára – Tiapé Suruí

20:00 horas:
Mesa-redonda:
"Mídia e sociedades indígenas na Amazônia"
Apresentação:Profa. Vânia Torres
“Sociedades Indígenas e as Novas Tecnologias da Educação”
Profa. Dra. Alda Cristina Costa (UNAMA)
“Os Estudos Culturais e o projeto Crianças Suruí-Aikewára”Prof. Dr. Agenor Sarraf(UFPA)
“Primeiros passos dos Aikewára no Twitter”
Hellen Monarcha (UNAMA-mestranda)
“A fotografia entre os Aikewára”
Lariza Moraes Gouvêa (aluno do curso de Direito)


21:00 horas
Lançamento do livro: “Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias da escola”
Ivânia dos Santos Neves (org.)
Alda Costa(org.)

O livro reúne uma série de textos produzidos por pesquisadores e alunos de mestrado e de graduação da UNANA, que de alguma forma participaram do projeto. No centro das discussões estão os debates sobre diversidade cultural e as tecnologias de comunicação e informação. O livro inaugura um debate sobre Estudos Culturais e processos de mediação com sociedades indígenas na Amazônia.

Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej
Dia 19 de abril

19: 00
Fala do Reitor

19:30
1. Mesa-redonda: Sociedades Indígenas e Reflexões sobre Educação na Amazônia
Apresentação: Prof. Dr. Paulo Nunes
“Povos tradicionais na Sala de Aula”
Elizabeth Pessôa Gomes da Silva (UNAMA – Mestrado – Curso de Pedagogia)
“Entre as Novas Tecnologias e as Narrativas Orais”
Prof Dr Ivânia Neves (Mestrado – Comunicação Social e Letras)
“Letramento Aikewára”
Bruna Sagica ( bolsista , monitora graduação de Letras - UNAMA)

"Narrativas orais, jenipapo e os caminhos dos sentidos Aikewára"
Apresentação: Prof Ms Elaine Oliveira ( representando NDE de Letras )
“Atravessamentos possíveis: o Curso de Bacharelado em Moda e Sociedades Indígenas” Profa.Rosyane Rodrigues
“Vestidos de Floresta: a roupa tradicional Aikewára”
Maurício Neves Corrêa (mestrando UNAMA)
“A importância das narrativas orais para os Aikewára”
Murué Suruí (Representante Aikewára)


2. Lançamento dos livros: "Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão" e Sessão de autógrafos

"Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão
Ivânia dos Santos Neves
Maurício Neves Corrêa

Este livro é resultado da pesquisa realizada no projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola. O projeto serviu também como uma grande ação de afirmação da cultura Aikewára. Em meio às oficinas e às ações do projeto, vimos surgir, com muita força o garfismo Aikewára. Se nas primeiras filmagens, eles apareceram com roupas ocidentais, depois de se virem nas telinhas, os Aikewára fizeram questão de usar sua roupa mais tradicional: os desenhos da floresta em sua pele.





Histórias dos Índios Aikewára
Murué Suruí (Representante Aikewára)

O eixo de todas as atividades do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola esteve fundamentado nas narrativas orais dos Aikewára, sem dúvida, sua principal fonte de conhecimento. Durante as oficinas, pudemos observar que alguns jovens passaram a fazer questão de traduzir para a escria as histórias que os mais velhos contam. É com grande prazer que apresentamos este livro, assinado por uma jovem e talentosa escritora Aikewára. Murué Suruí, mais do que qualquer um de nós, está absolutamente autorizada a escrever as histórias de seu povo.

Exposição: Sobre a Arte Aikewára
Espaço: Galeria Graça Landeira


20/04/11
Lançamento na rede do filme: “Tekwaeté: a rede Aikewára, no aikewara.blogspot.com”
Visite: http :// aikewara.blogspot.com

Apoio:
Núcleo Cultural / Casa da Memória

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"A História da Lua ou como Arimajá pretou a cara de Jay" uma história dos índios Asuriní



Moreyra Asuriní conta a História da Lua ou como Arimajá pretou a cara de Jay.

"Depois que Arimajá passou jenipapo em seu rosto, Jay ficou com muita vergonha da cara preta dele e todos os índios riam dele. A lua mandou flechar o céu e pediu aos bichos que fizessem um caminho para ele ir embora."

O narrador desta história, Moreyra, é um dos mais importantes pajés Asuriní. Sua presença foi fundamental no processo de reestruturação social depois da intensa depopulação vivida pelo grupo. Entre os Asuriní não existe uma liderança política centralizada em um cacique. Embora muitas vezes a Funai já tenha tentado estabelecê-la, inclusive já tentaram tornar o Moreyra esta liderança.

Os índios Asuriní do Xingu são um pequeno grupo Tupi, vivem na Terra Indígena Kwatinemo no Pará e são conhecidos internacionalmente por seus grafismos.
(Ivânia Neves)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Arihêra.

Arihêra
Foto: Maurício Neves


             "Os primeiros Aikewára que filmei, mostravam-se tímidos frente à filmadora. Além do mais, eles não tinham muita confiança em nós, afinal, muitos kamará já tinham ido filmá-los e nunca voltaram para mostrar o resultado. Porém, uma índia se destacava quando o assunto era filmagens, esta índia chama-se Arihêra Suruí.
            Arihêra faz parte do grupo de sobreviventes à depopulação. Ainda bem jovem, no final dos anos de 1960, ela foi um fundamental no processo de reestruturação social deste povo. Hoje, ela é a principal mestra de saberes e tradição de seu povo.
          
            Casada com Umassú Suruí e mãe de 04 filhos, ela hoje é uma das principais lideranças Aikewára. Talvez a pessoa mais autorizada para falar sobre a cultura Aikewára. Foi graças a ela que a rede tradicional Suruí não desapareceu. Arihêra é também a grande cozinheira da aldeia. Em sua casa, a comida tradicional Suruí nunca deixou de ser servida. Dona de uma habilidade performativa privilegiada, ela é uma das principais contadoras das histórias Aikewára." (Retirado do livro "Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias")

Arihêra é a personagem principal do curta "A Rede Aikewára", que será lançado neste blog no dia 20-04.

sábado, 9 de abril de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (Abril)

Narrativa Aikewara: Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o fogo Aikewára

Há muito tempo, no meio da floresta, na época em que nós, Aikewára ainda éramos brabos, vivia um indiozinho malinador. Por mais que seus pais o alertassem sobre os perigos da vida, ele teimava em não acreditar na sabedoria de nosso povo.
Naquela época, o mundo era mais frio e mais escuro, ainda não existiam Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o vento.
Os índios Aikewára brabos também eram conhecedores de muitos segredos do Universo. O indiozinho era muito curioso e vivia perguntando sobre tudo. Um dia, ele viu uma cabaça fechada e quis saber o que havia lá dentro. Os mais antigos lhe disseram que o índio que mexesse naquela cabaça sagrada seria duramente castigado. Parece que essas palavras aumentaram ainda mais o desejo do jovem índio.
Alguns dias se passaram e ele não tirava da cabeça o desejo de abrir a cabaça. Até que um dia...
Todos estavam ocupados e o pequeno índio ficou sozinho diante da cabaça. Nervoso, o indiozinho malinador sentiu um frio na barriga. Suas mãos suavam... “Será duramente castigado...”
De uma vez só ele abriu a cabaça. De dentro saíram o fogo e o vento com tanta violência, que mataram o indiozinho. O vento se soltou e se espalhou pelo Universo. Já o fogo... Bem, o fogo também se espalhou no céu. Durante o dia, transformou-se em Kwarahy e ajudou a melhorar nossas roças.

À noite, ele se transformou em Sahy, só que nós dormíamos nesse período e Sahy ficava muito sozinho. Então, o fogo resolveu lhe dar um filho e criou Sahy-Tatawai. Ele não fica o tempo todo do lado do pai, mas podemos vê-los juntos no início da noite e no final da madrugada, brilhando no céu.

A história Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o fogo Suruí me foi narrada por Arihêra Suruí. Era noite, mas o céu estava coberto de nuvens. Não pudemos ver nem a Lua nem as estrelas e os Suruí se ressentiam muito disso. Com a convivência entre eles, aprendi que não gostavam de contar histórias que envolvessem as estrelas, durante o dia. Ficavam incomodados de não poder mostrá-las, por isso as narrativas deveriam ser contadas preferencialmente à noite.

Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Semana do Índio: A sociedade indígena e as fronteiras contemporâneas - Programação

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CESA – CCHE
Mestrado de Comunicação, Linguagens e Cultura
Comunicação Social - Letras

Todos os anos, quando se aproxima o dia 19 de abril, o Dia do Índio, as escolas e a mídia logo se movimentam para "prestar uma homenagem ao "índio".
O grande problema desta história é que tanto a escola como a mídia, de uma maneira geral, falam de um índio genérico, como se fossem todos iguais, tivessem uma mesma cultura, falassem a mesma língua. Talvez fosse melhor dizer que dia 18 de abril é o dia dos Aikewára, dos Tembé, dos Mbyá-Guarani, dos Asuriní do Xingu, dos Ianomâmi, dos Maias, dos Incas...
Menina Aikewára / Foto Alda Costa
A Universidade da Amazônia reunirá pesquisadores, professores e alunos nos dias 18 e 19 de abril, com a finalidade refletir sobre a inserção das sociedades indígenas nas fronteiras contemporâneas. O evento faz parte do programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e dos cursos de Comunicação Social e Letras.



Campus BR - Auditório 01
Dia: 18/04/11

19:00 horas:
Mesa - redonda: “As influências do Tupi-Guarani na cultura contemporânea”.

Prof. Dr. Félix Gerard Ibarra Prieto
Prof. Paulo Barradas - “A condição do Índio na Lei”
Representante Aikewára – Tiapé Suruí


20:00 horas:

Mesa-redonda: "Mídia e sociedades indígenas na Amazônia"


Apresentação: Vânia Torres
Profa. Dra. Alda Cristina Costa (UNAMA)
Profa. Dra. Ivânia Neves (UNAMA)
Prof. Dr. Agenor Sarraf(UFPA)
Hellen Monarcha (UNAMA-mestranda)

21:00 horas
Lançamento do livro: “Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias da escola”
Ivânia dos Santos Neves (org.)
Alda Costa(org.)
Textos: Agenor Sarraf, Alda Costa, Hellen Monarcha, Lariza Gouvêa, Bruna Sagica, Maria Adriana Azevedo, Ivânia Neves, Maurício Neves Corrêa
O livro reúne uma série de textos produzidos por pesquisadores e alunos de mestrado e de graduação da UNANA, que de alguma forma participaram do projeto. No centro das discussões estão os debates sobre diversidade cultural e as tecnologias de comunicação e informação. O livro inaugura um debate sobre Estudos Culturais e processos de mediação com sociedades indígenas na Amazônia.


Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej

1. Mesa-redonda:" Narrativas orais, jenipapo e os caminhos dos sentidos Aikewára"
Apresentação: Prof Ms Elaine Oliveira ( representando NDE de Letras )
Prof Dr Ivânia Neves (UNAMA)
Maurício Neves Corrêa (mestrando UNAMA)
Bruna Sagica ( bolsista , monitora graduação de Letras - UNAMA)
Murué Suruí (Representante Aikewára)

2. Lançamento dos livros:

"Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão" e Sessão de autógrafos
Ivânia dos Santos Neves
Maurício Neves Corrêa
Este livro é resultado da pesquisa realizada no projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola. O projeto serviu também como uma grande ação de afirmação da cultura Aikewára. Em meio às oficinas e às ações do projeto, vimos surgir, com muita força o garfismo Aikewára. Se nas primeiras filmagens, eles apareceram com roupas ocidentais, depois de se virem nas telinhas, os Aikewára fizeram questão de usar sua roupa mais tradicional: os desenhos da floresta em sua pele.

"Histórias dos Índios Aikewára"
Autora: Murué Suruí
O eixo de todas as atividades do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola esteve fundamentado nas narrativas orais dos Aikewára, sem dúvida, sua principal fonte de conhecimento. Durante as oficinas, pudemos observar que alguns jovens passaram a fazer questão de traduzir para a escria as histórias que os mais velhos contam. É com grande prazer que apresentamos este livro, assinado por uma jovem e talentosa escritora Aikewára. Murué Suruí, mais do que qualquer um de nós, está absolutamente autorizada a escrever as histórias de seu povo.

Exposição: Sobre a Arte Aikewára
Espaço: Galeria Graça Landeira







20/04/11

Lançamento na rede do filme: “Tekwaeté: a rede Aikewára, no aikewara.blogspot.com”

Visite: http :// aikewara.blogspot.com

Clip Sapurahai: Música e Dança Aikewára



O Sapurahai é um dos elementos mais bonitos e importantes da cultura Aikewára. Os índios exibem com orgulho suas antigas cantigas e seus passos de danças, firmes e fortes...
Este clip foi produzido durante a realização do projeto "Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola", realizado pelo Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e pelo curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia - UNAMA