sábado, 30 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Os Aikewára em Belém- Parte II
Como já dito anteriormente, os Aikewára viriam a Belém para a semana de comunicação da UNAMA - Universidade da Amazônia. Mesmo que alguns tivessem temores de ter que pegar o vôo Marabá- Belém, mostraram-se guerreiros e atravessaram o Rio Guamá no ar, para mostrar que índios não são "bichos do mato" como dito pela própria Murué.
No dia 19/10(terça-feira), foi exibido o filme Tapi'i'rapé na abertura da semana de comunicação, quando Tiapé Suruí recebeu das mãos do ilustríssimo reitor da UNAMA, Antonio Vaz Pereira, a coletânea dos filmes do projeto "Crianças Suruí- Aikewára:entre as tradições e as novas tecnologias na escola". A coletanêa conta com os filmes: A comida Aikewára, Takaweté - A rede Aikewára, Sapurahai- O canto e a dança Aikewára e Tapi'i'rapé- O caminho da anta, este último trata de uma importante narrativa da cultura Aikewára.
Na ocasião, Tiapé Suruí fez um breve, porém belo discurso em nome da comunidade Suruí, agradecendo às professoras Ivânia Neves e Alda Costa pelo projeto e enfatizando a importância do registro da sua cultura para as próximas gerações. Ele inclusive destacou a importência destes registros através de diferentes tecnologias, como vidéos, blogs na internet...
No dia (20/10), quarta o bolsista do projeto Maurício Neves ministrou a oficina "Documentário com Populações Tradicionais da Amazônia", em que falou da importância do jornalista ter sensibilidade ao trabalhar com as populações da Amazônia. Os participantes desta oficina conseguiram marcar uma entrevista na rádio UNAMA junto com os índios: Umassú, Arihêra, Maria e Arikassu. Os participantes da oficina filmaram a participação dos Aikewára na rádio.
No dia seguinte (21/10), Maria e Murué Suruí, participaram da oficina de grafismo indígena, em que foi explicado sobre o processo de preparação da tinta de jenipapo e da importância das pinturas corporais para a cultura Aikewára. Nesta oficina as índias pintaram os alunos com grafismos, que represetam diversos animais e plantas.
Para quem não pode ir à Semana de Comunicação da Unama, poderá ainda aprender mais da cultura Aikewára no Fórum Paraense de Letras, onde serão exibidos os filmes e alguns trabalhos direcionados a sociedades indígenas:
http://www.unama.br/forumdeletras/
Fica a dica!
No dia 19/10(terça-feira), foi exibido o filme Tapi'i'rapé na abertura da semana de comunicação, quando Tiapé Suruí recebeu das mãos do ilustríssimo reitor da UNAMA, Antonio Vaz Pereira, a coletânea dos filmes do projeto "Crianças Suruí- Aikewára:entre as tradições e as novas tecnologias na escola". A coletanêa conta com os filmes: A comida Aikewára, Takaweté - A rede Aikewára, Sapurahai- O canto e a dança Aikewára e Tapi'i'rapé- O caminho da anta, este último trata de uma importante narrativa da cultura Aikewára.
Na ocasião, Tiapé Suruí fez um breve, porém belo discurso em nome da comunidade Suruí, agradecendo às professoras Ivânia Neves e Alda Costa pelo projeto e enfatizando a importância do registro da sua cultura para as próximas gerações. Ele inclusive destacou a importência destes registros através de diferentes tecnologias, como vidéos, blogs na internet...
No dia (20/10), quarta o bolsista do projeto Maurício Neves ministrou a oficina "Documentário com Populações Tradicionais da Amazônia", em que falou da importância do jornalista ter sensibilidade ao trabalhar com as populações da Amazônia. Os participantes desta oficina conseguiram marcar uma entrevista na rádio UNAMA junto com os índios: Umassú, Arihêra, Maria e Arikassu. Os participantes da oficina filmaram a participação dos Aikewára na rádio.
No dia seguinte (21/10), Maria e Murué Suruí, participaram da oficina de grafismo indígena, em que foi explicado sobre o processo de preparação da tinta de jenipapo e da importância das pinturas corporais para a cultura Aikewára. Nesta oficina as índias pintaram os alunos com grafismos, que represetam diversos animais e plantas.
Na quinta (21/10), a professora Ivânia Neves, participou da mesa redonda "Pesquisa na Amazônia"sob o olhar atento de Tiapé Suruí. Ivânia falou do projeto e exibiu o filme Takaweté - A rede Aikewára, que rendeu muitos aplausos no final.
Para quem não pode ir à Semana de Comunicação da Unama, poderá ainda aprender mais da cultura Aikewára no Fórum Paraense de Letras, onde serão exibidos os filmes e alguns trabalhos direcionados a sociedades indígenas:
http://www.unama.br/forumdeletras/
Fica a dica!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Queimadas na terra indígena Sororó / Fire destroys part of Aikewara Indian reservation in the Amazon
Na terra indígena Sororó, sudoeste do Pará, os Aikewára estão muito tristes e apreensivos, o motivo: o fogo. Desde setembro, o fogo vem causando incontáveis prejuízos para os índios, tanto com a morte de animais que são suas caças e base da alimentação Aikewára, como a queimada de castanheiras que geram sua fonte de renda, pois comercializam as castanhas e é claro a devastação do Parque Ambiental, que é praticamente uma ilha verde cercada pelas enormes fazendas da região, onde só há pasto.
Sororo on indigenous land, in the middle of the Amazon forest, the Aikewára are very sad and apprehensive, the reason: the fire. Since September, the fire has caused untold damage to the Indians, both with the death of animals that are their prey and feed Aikewára basis, as the burning of chestnut trees that generate their revenue source, because trade nuts and of course the devastation Environmental Park, which is practically an island green surrounded by huge farms in the region where there is only grass.
Mairá Suruí, capitão da aldeia, chegou a ir até Marabá pedir ajuda das autoridades, porém, segundo ele, neste dia o Ministério Público não estava funcionando.
Maira Suruí, chief of the village, even went to the town of Maraba ask for help from the authorities, but was not attended by anyone.
Alguns Aikewára presentes em Belém, através dos meios de comunicação, como a TV RBA e a TV Record , fizeram um apelo para que sejam tomadas providências.
Some Aikewára in Belem, through the media, like RBA TV and Record TV , have called for steps to be taken.
Nossa terra é cortada por uma rodovia federal, mas nunca recebemos nenhuma idenização por isso!
Our land is cut by a federal highway, but never received any idenização for it!
Do ponto de vista da lei, se for preciso construir uma rodovia federal por cima da casa ou terreno de qualquer cidadão, este terá direito a uma indenização. Os índios são cidadãos, que votam, pagam impostos! Precisam também ter seus direitos garantidos!
Under Brazilian law, if you need to build a federal highway over the house or land of any citizen, shall be entitled to compensation. The Indians are citizens, who vote, pay taxes! They must also have their rights guaranteed!
Foto: Orlando Calheiros
O fogo pode ter começado de pontas de cigarros que os motoristas que passam pela rodovia jogam, e que devido às temperaturas deste período do ano acabam por intensificar estas queimadas.
The fire may have started with cigarette butts that drivers fling when they pass by the highway, and that due to the temperatures this time of year ultimately strengthen these fires.
Também muitas coisas vem acontecendo devido a estrada cortar a terra indígena Sororó como cadáveres jogados na mata, lixo como vidro, plástico que é usado na vacina dos animais que e jogado também na mata.
Too many things going on because the road has cut the Indian land Sororó as corpses dumped in the woods, a lot of trash such as glass, plastic that is used in the vaccine for animals and also played in the woods.
É lamentáve! É triste!
It is unfortunate! It's sad!
Foto: Orlando Calheiros
Lariza Gouvêa e Tiapé Suruí
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Os Aikewára em Belém.
Quem segue este blog, gosta de ler os posts ou passa por ele de visita, agora vai ter a oportunidade de conhecer alguns dos índios de pertinho: Arihêra, Umussum, Murué, Tiapé, Arikassú e Maria virão a Belém especialmente para a VII Semana de Comunicação - Mediações e discursos: a comunicação na Amazônia.
Neste evento, ocorrerá o lançamento dos filmes do projeto "Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola".
Para aguçar os curiosos, aí vai uma prévia de um dos filmes que serão exibidos:
O evento também contará com uma oficina sobre grafismo indígena ministrada pelas índias Maria e Murué Suruí.
Está feito o convite!
Para saber mais acesse: http://semanadecomunicacao-unama.blogspot.com/
Neste evento, ocorrerá o lançamento dos filmes do projeto "Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola".
Para aguçar os curiosos, aí vai uma prévia de um dos filmes que serão exibidos:
O evento também contará com uma oficina sobre grafismo indígena ministrada pelas índias Maria e Murué Suruí.
Está feito o convite!
Para saber mais acesse: http://semanadecomunicacao-unama.blogspot.com/
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Salvem o rio Xingu! Estamos todos na mesma floresta!
Foto: Monica Cruvinel
Rio Araguaia - São Geraldo do Araguaia, região das Serras Andorinhas, às proximidades da Terra Indígena Sororó.
Nas águas do rio Aragauaia, crianças brincam, barqueiros transportam pessoas de uma margem para outra por R$ 2,00, mulheres lavam roupa despreocupadas com olhares alheios.
No calor amazônico, o sorvete se derrete como gelo debaixo da torneira, as mãos sujas do sorvete de tapioca não desfazem o sorriso, ao observar o embalar cotidiano das pessoas que cercam o rio Araguaia.
É tudo de uma beleza quase utópica! Parece tão distante, que faz nos sentirmos em um programa-documentário trasmitido sexta à noite por um canal qualquer.
No calor amazônico, o sorvete se derrete como gelo debaixo da torneira, as mãos sujas do sorvete de tapioca não desfazem o sorriso, ao observar o embalar cotidiano das pessoas que cercam o rio Araguaia.
É tudo de uma beleza quase utópica! Parece tão distante, que faz nos sentirmos em um programa-documentário trasmitido sexta à noite por um canal qualquer.
Mas o sol nos lembra a todo o tempo que tudo é real. E mesmo com uma vontade danada de se jogar no rio pra se refrescar do calor, a sensação que se tem é que devemos receber primeiro um convite, como se o Rio fosse encoberto por uma entidade divina que deveria informar se somos ou não bem vindos.Ele nos intimida.
O Rio sente! Ele sabe!
Em certas épocas do ano ele se recolhe, fica em silêncio meditando sobre as coisas que se passaram...barcos, peixes, gente.
Outras vezes ele se revolta com a total falta de cuidado e avisa que um dia poderá não mais voltar...
Nesses tempos de agora, ele "onda" a chorar: um dos seus irmãos corre grande perigo - o rio Xingu.
O Rio sente! Ele sabe!
Em certas épocas do ano ele se recolhe, fica em silêncio meditando sobre as coisas que se passaram...barcos, peixes, gente.
Outras vezes ele se revolta com a total falta de cuidado e avisa que um dia poderá não mais voltar...
Nesses tempos de agora, ele "onda" a chorar: um dos seus irmãos corre grande perigo - o rio Xingu.
Não entende como o homem pode ser tão ingrato!
Os rios dão água, comida, a vitalidade ao homem, mas os homens insistem em querer agredi-lo, prende-lo, num discurso nazista "pelo bem maior", passando por cima de ávores, animais, pessoas, histórias.
Por que depois de tanto desenvolvimento tecnológico continua sendo imperativo para o homem destruir, matar...
O rio Araguaia, que fica perto da Terra Indígena Sororó, onde vivem os Aikewára, chora pelo Rio Xingu e pede ajuda a todos para que não desistam JAMAIS de tentar viver em um mundo mais justo:
Foto Ivânia Neves
Rio Xingu, em frente à Terra Indígena Kwatinemo, onde vivem os Asuriní do Xingu, que assim como os Aikewára, pertencem à imensa família Tupi.
Existe, hoje, uma mobilização internacional para evitar que seja constuída a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Nos links a seguir, você acessa um abaixo-assinado digital contra a construção de Belo Monte e assiste a um filme narrafo por Dira Paes, que explica de forma bem didática os problemas ambientais que seriam causados por esta construção.
Participe!
https://salsa.democracyinaction.org/o/2486/action/parebelomonte
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E
http://www.youtube.com/watch?v=JcCpFBro-Lc
domingo, 12 de setembro de 2010
Saberes Indígenas
Esta postagem não trata especificamente do povo Aikewára, mas decidi fazê-la, porque as reflexões que aparecem dizem respeito a todas as sociedades indígenas. Recebi o link através do amigo Agenor Sarraf e achei interessante socializar com os amigos leitores deste blog.
O autor da crônica a seguir é um dos mais respeitados pesquisadores sobre sociedades indígenas no Brasil, trata-se do professor Bessa Freire. Como é comum em seus texto, "A sogra do Jacamim em busca da Beleza" nos apresenta um pouco da sabedoria milenar dos índios brasileiros e para completar, suas observações sobre a história nos dão uma aula de respeito à diversidade cultural.
A SOGRA DO JACAMIM EM BUSCA DA BELEZA
José Ribamar Bessa Freire
12/09/2010 - Diário do Amazonas
O Jacamim andava ciscando no terreiro e, com seu bico irrequieto, beliscava um inseto aqui, uma minhoca ali, uma sementinha acolá. Sua sogra, que assistia a cena, viu que tudo nele era desproporcional e deselegante. Pescoço pelado, curvo e compriiiiido. Cabecinha minúscula em cujo cocuruto emergia ridículo topete de penas eriçadas. Curtas, demasiado curtas eram suas asas. Altas, excessivamente altas suas pernas. Ela olhou aquele bicho desengonçado e, com a sinceridade que as sogras soem ter, disse:
- Meu genro, não me leve a mal não, mas você é feio! Muito, mas muiiiiiiito feio! Feio pra chuchu! Parece até que minha filha casou com um urubu!
Leia mais
Ivânia dos Santos Neves
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Tempo de Estrela
Eu quero fazer poesia
desse índio que ri de tudo
da falta de rio, da falta de caça
Viver como a leveza de uma rede.
De punho forte e toco firme que a aguente
Não cai!!!
Que mesmo com todas as armadilhas e animais urbanos ferozes que encontram no caminho
Continuam a se embalar nas redes que seus antepassados ensinaram a fazer
E tão alto se embalam a ponto de alcançar estrelas
Eu quero fazer poesia desses índios
Que alcançam o céu com escada de flechas
Onde as estrelas são bichos, são gente
São espíritos que continuaram a se embalar
Resistiram tecendo dos fios de algodão: a rede;
das penas do papagaio: o ararau;
do jenipapo: a pintura
e de olhar as estrelas: as histórias....
Eu quero fazer poesia desse índio
Que tem um céu cheio de estrelas
Nesse tempo sem brilho!
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