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domingo, 8 de agosto de 2010

Projeto "Crianças Suruí-Aikewára entre a tradição e as novas tecnologias" da UNAMA, no Jornal Nacional

Não era problema da conflito de terra, de prostituição, de políticos corruptos, de denúncias contra médicos ou policiais. Nesta última sexta-feira, 06 de agosto, o Pará esteve no Jornal Nacional, da Rede Globo, por causa do nosso projeto.

Saiu a matéria realizada na Terra Indígena Sororó, dos índios Aikewára!



Todos sabem bem o poder mítico da Rede Globo no Brasil. E é muito importante que a matéria tenha traduzido nossa forma de pensar a realidade das sociedades indígenas atualmente, sociedades que vivem nas fronteiras.

A matéria não tratou os Aikewára como exóticos e nem demonstrou o preconceituoso estranhamento diante de índios que convivem com o novo.

Este projeto é muito significativo para os Aikewára e para nós, como universidade. Ficamos extremamente felizes de poder colocar nossa pesquisa em diálogo com a cultura Aikewára. O projeto, do curso de Comunicação Social da UNAMA mostra como a tecnologia pode ter responsabilidade social e atesta nosso compromisso com as populações tradiconais da Amazônia.

A única coisa que lamento é que não estava lá com os Aikewára, quando passou no Jornal Nacional. Queria vê-los. Queria inclusive que este texto tivesse sido escrito em conjunto com eles. A próxima postagem sobre esta matéria vai trazer a impressão deles.
No G1 também há uma matéria escrita sobre o projeto. Leia mais...

Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Jornalista Poliana Abritta destaca projeto Crianças Suruí-Aikewára da Universidade da Amazônia

Como já mostramos aqui no blog, em junho de 2010, uma equipe da Rede Globo esteve na Terra Indígena Sororó para fazer uma matéria sobre o projeto, que ainda não foi ao ar e que estamos aguardando ansiosamente.
No site do Criança Esperança, já estão no ar os depoimentos dos jornalista que fizeram as matérias e Poliana ficou bastante entusiasmada com os índios Aikewára.




















Agora é aguardar a matéria! Um abraço a todos!
Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sapurahai e a Rede Globo - Um "Estar Lá" bem diferente

Sapurahai and Globo TV - A "Be There" very different

No último dia 21 de junho, nós, a equipe de Belém e os índios Aikewára, que estamos realizando o projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tercnologias na escola, recebemos uma equipe da Rede Globo. Como era de se esperar, por todo o significado mítico da Globo, o clima era de ansiedade e de nervosismo.

On the last day June 21, the project Children Suruí-Aikewára: between tradition and new tercnologias the school received a team from Globo TV, the largest television network in Brazil. Of course, for all the mythic significance of the Globo TV, was the climate of anxiety and nervousness.


Índios Aikewára e Equipe da Rede Globo
Foo: Gilvandro Xavier 

Os Aikewára estavam felizes àquela manhã. Acordaram cedo, atenderam atentamente às nossas solicitações em relação ao que deveria ser apresentado, mas foram além...

The Aikewára were happy that morning. They woke up early, attended to our requests carefully about what should be presented, but were also ...


Caruji

Por iniciativa de Mairá, ainda na noite anterior, orquestrados por Arihêra, eles começaram a preparar o caruji, um mingau feito com macacheira, castanha do Pará e urucum.

The previous night, led by Arihera, they began to prepare the caruji a porridge made from cassava, nuts native and annatto.

Caruji


 No início da manhã, a aldeia estava preta e vermelha. Os cheiros do urucum e do jenipapo se espalhavam.Pela manhã, pouco antes da Rede Globo chegar, os últimos e fundamentais retoques. Eles finalizaram os desenhos corporais com a tinta vermelha de urucum...

In the early morning, the village was black and red. The smells of annatto and jenipapo spread.
By morning, just before the Globo TV reach the last and crucial touches, they finalized the design body with red dye annatto...


Pintura corporal Aikewára


Poliana, a jornalista que fazia a matéria, começou entrevistando algumas crianças que estavam se pintando de jenipapo, na parte de trás da casa de Maria Suruí. De repente, entra o Sapurahai...

Poliana, the journalist who made the field, began interviewing children the few who were painting jenipapo in the back of the house of Maria Suruí. Suddenly enter the Sapurahai ...


Sapurahai 1
Foto: Alda Costa

Puxados por Arikassú, que exibia um belíssimo ararau, entraram os homens dançando. Todos pintados de Sawara Pixum - Onça Preta. A força da cultura Aikewára se materializava em seus corpos pintados, no movimento que faziam com os maracás e principalmente, no movimento dos pés...
Quando os Aikewára entraram na praça central da aldeia, tudo parou.

Led by Arikassú, who displayed a beautiful ararau, entered the men dancing. All painted Sawara Pixum - Black Jaguar. The strength of culture Aikewára materialized in their bodies painted in the movement that made the maracas and foremost, the movement of the feet...
When Aikewára entered the central square of the village, everything stopped.


Tiapé Suruí pintado de Sawara Pixuna
Foto: Alda Costa
Nós e a equipe da Globo mudamos o rumo inicial da matéria.
O Sapurahai se impunha...

The initial direction of the field has changed. The Sapurahai happened ...

Sapurahai 03
Foto: Alda Costa

Primeiro os homens mais velhos, depois os mais novos, em seguida os meninos.
First older men, after the young, then boys.


Sapurahai 2
Foto: Alda Costa

Quando se formou o círculo com os homens, entraram as meninas pintadas e usando suas saias tradicionais.

 Sapurahai 3
Foto: Alda Costa

Provavelmente, na hora da edição, as imagens não vão aparecer na sequência em que aconteceram. O que é natural. Mas quem estava lá, nunca vai esquecer aquele momento.
Isso acontece quando o "Estar Lá" da antropologia, tão badalado na obra de Clifford Geertz, ganha um novo sentido. Quando o "Estar Lá" constitui a memória de alguns dos melhores momentos de nossas vidas!

Probably the time of publishing, the images will not appear in the sequence occurred. What is unnatural. But who was there will ever forget that moment.
This happens when the "Being There" anthropology, so fashionable in the work of Clifford Geertz, gains a new meaning. When the "Be There" is the memory of some of the best moments of our lives!

 

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Projeto apoiado pelo Criança Esperança coloca cultura dos índios Aikewára nas novas tecnologias.

Mais de 100 jovens entre 5 e 18 anos são beneficiados.



Por Maurício Neves




Os Aikewára se reuniam na frente de uma televisão de LCD. Na tela, o menino Sari cantava a música para toda aldeia, depois a índia Arihêra contava a história das comidas. Pela primeira vez na terra indígena Sororó, os Aikewára eram os protagonistas do filme. Essa é a proposta do projeto da Universidade da Amazônia - Unama “Crianças Suruí Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola”. Afinal, atualmente toda casa Suruí possui uma televisão e alguns deles já entraram em contato até mesmo com a internet, o problema é que quase nada da cultura Aikewára foi produzido para estas mídias.

Coordenado pela lingüista e antropóloga Ivânia Neves e pela jornalista Alda Costa, professoras doutoras da Unama, o projeto foi um dos selecionados pelo Criança Esperança da Rede Globo em parceria com a UNESO para o ano de 2010. O projeto vai atender mais de 100 jovens entre 5 e 18 anos. Ivânia explica que ao longo do projeto serão produzido 4 livros e 4 filmes didáticos para escola Aikewára. O objetivo destes materiais é conciliar a tradição cultural dos índios Suruí com as novas tecnologias, de tal maneira, que sirvam de apoio à estrutura de ensino.


Os Aikewára têm se mostrado bastante empolgados com o projeto. Preservar a cultura é uma grande preocupação dos índios mais velhos, já que muitas de suas crianças não falam ou escrevem em Aikewára. Ajudar no ensino da língua tradicional foi o principal pedido que Mairá Suruí, uma das lideranças, fez à equipe durante a primeira reunião do projeto. Neste sentido, a contribuição do projeto será grande. Os dois primeiros livros, que serão bilíngües (Aikewára/português) já estão em fase de edição, um será destinado à alfabetização das crianças e é resultado de uma parceria do projeto com as professoras Suruí.


O segundo livro é sobre os grafismos Aikewára e atende às solicitações dos próprios índios, especialmente de Maria Suruí, que pediu à equipe que registrasse os desenhos, para que não se perdessem no tempo. Cada pintura corporal tem seu significado, muitos representam animais como a onça, o sapo, a anta. Segundo Ivânia a pintura corporal tem uma grande representatividade nas culturas indígenas “Para muitas sociedades indígenas, estas pinturas se assemelham ao significado que a roupa tem para nós. De certa forma, ao se pintarem, eles se vestem da cultura tradicional”, explica.


Outra importante atividade do projeto são as oficinas. Ao longo do ano, acontecerão 8 oficinas. A primeira oficina foi sobre a comida Aikewára. Arihêra, Maria e as outras índias mais velhas se reuniram com a equipe do projeto e Maria Eliane, nutricionista da Secretaria de Saúde de São Geraldo do Araguaia. Elas definiram o cardápio que seria servido durante as atividades do projeto. Ivânia conta que os índios têm hábitos alimentícios diferentes. Segundo Arihêra “Nós não comemos carne de vaca. Não comemos também a carne de macaco, porque a perna da gente fica mole!”

Nesta oficina definiram também a construção de uma horta, onde serão plantados alimentos que visam suprir algumas carências nutricionais dos Aikewára, como a falta de ferro. Segundo as índias é alta a incidência de anemia entre os Suruí.

Cena do filme “A comida Aikewára”: Maria e Arihêra na oficina de nutrição

Os vídeos têm causado um verdadeiro frenesi entre os Aikewára. Arihêra, explica: “Eu gosto que me filmem, se eu morrer, os filhos dos meus netos vão poder saber das nossas histórias”. Para Mahú, o atual cacique: “Esta é uma oportunidade dos mais novos conheceram as histórias Aikewára.”


Os Suruí Aikewára são índios castanheiros que vivem na terra indígena Sororó (um grande quadrado de floresta preservada) entre os rios Araguaia e Tocantins no sul do Pará. Segundo o ultimo senso da aldeia, os Aikewára são pouco mais de 300 índios.