terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tiapé Suruí fala sobre a divisão do estado do Pará



Tiapé Suruí
Foto: Alda Costa
 






Tem que pensar muito na hora de votar. No Brasil, todo mundo é obrigado. Em outros lugares não é assim. Se não fosse obrigado, era diferente. As pessoas nem pensam na hora de votar. Fica um monte de gente discutindo a divisão do estado, como se fosse um jogo de futebol.

A gente pergunta se é contra ou a favor, aí dizem sim ou não. Então, a gente pergunta por quê? Mas ninguém sabe explicar.
Algumas pessoas nem conhecem o estado, são muito diferentes e dizem que são contra. Outras dizem que são a favor, mas nem são daqui, são de outros estados.

Eu ainda não tenho uma posição definida sobre a divisão do estado do Pará. Tô analisando.


Por um lado, eu sou a favor, porque nós íamos ficar mais próximos do governador, da capital. Isso seria bom. Por outro lado, não sei se seria bom pros indígenas, porque quem está interessado na divisão do estado são muitos fazendeiros e aqueles políticos que são mais contra os índios.

Como sempre acontece, ninguém perguntou nada pra gente não. Eu li o texto do professor Bessa Freire e ele fala disso. Parece que nunca se importam com os indígenas.

TAPAJÓS E CARAJÁS: FURTO, FURTEI, FURTAREI
José Ribamar Bessa Freire
09/10/2011 - Diário do Amazonas





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tiapé Suruí fala sobre Belo Monte

Para nós, não tem nada de belo, não! É mal monte, feio monte...

Aricassú, Tiapé e Umassú Suruí

Não considero importante a construção de Belo Monte. Se realmente construíram a barragem, vão dar um jeito de acabar com os indígenas, os ribeirinhos. Vão destruir a floresta e nesta região a floresta é mais conservada do que onde eu moro, que fica perto de Marabá. Também vão acabar com muitos peixes, por causa do rio e da caça, porque a floresta vai se inundada.

Em 2010, na Terra Indígena Sororó, onde moro, não foi inundado, mas aconteceu uma grande queimada. Nós sofremos muito, porque diminuiu a caça, mas também deu problema na agricultura. Agora, em 2011, nós não conseguimos produzir nada.

Eu acredito que se construírem a barragem, os povos indígenas de lá e os ribeirinhos, o s pequenos agricultores, vai ser difícil pra eles fazerem roça e a roça pegar.

Quando inundar tudo, eles vão ter que caçar algum meio pra viver. Então, vai ter indígena na cidade. Vão ter que trabalhar pros fazendeiros. Vivendo na cidade, vai ser difícil preservar a cultura, manter viva para futuras gerações. Os costumes vão mudar. Eles não vão comer mais caça, vai ser só comida industrializada, não vão mais comer comida natural. E como é que os mais velhos vão viver na cidade?


Terra Indígena Kwatinemu - será afetada por Bele Monte
Foto: Ivânia Neves
Eles pegaram de surpresa os índios. Não perguntaram se eles queiram. Agora, os povos de lá estão tentando se defender. Em outubro teve um protesto grande e muitos povos foram tentar impedir a construção. Wirapiaí Suruí e Muruó Suruí, dois Aikewára que estudam em Marabá foram pra lá também.

Tiapé Suruí

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Web como Espaço Político e as Possibilidades do Letramento Digital entre os Aikewára


O uso da internet no letramento e na inclusão digital de povos indígenas também foi abordado em dos GTs. Os artigos “A Web como Espaço Político e as Possibilidades do Letramento Digital entre os Aikewára” e “A Difusão da Informação em Blogues de Autoria de Povos Indígenas: uma análise de dois blogues produzidos na Amazônia”, trataram dessas questões.
Alguns povos indígenas, na maioria das vezes, nunca são compreendidos de uma forma plural e complexa, mas simplista e até preconceituosa, pela dita grande mídia. Contra a avaliação pejorativa que geralmente têm nos meios de comunicação comerciais, essas populações indígenas encontram nos blogues meios alternativos de divulgação de suas culturas. Trabalhando na produção de conteúdos que representam seus interesses e necessidades e os divulgando na Internet, essas comunidades exercem o seu legítimo direito de comunicar. O bom uso das novas tecnologias da informação e comunicação, nesse sentido, pode tanto promover a inclusão social como reforçar a identidade cultural de grupos e agentes excluídos, parcialmente ou integralmente, da grande mídia.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade: Mídias

O SIMSOCIAL – Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade: Mídias Sociais, Saberes e Representações é um evento de cunho acadêmico destinado a promover debates e circulação da pesquisa produzida sobre as tecnologias digitais e sociabilidade no Brasil.  Idealizado pelo GITS – Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade, que compõe o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA, o simpósio acontece nas dependências da Faculdade da Comunicação desta universidade, em Salvador, nos dias 13 e 14 de outubro de 2011.
Na programação, estão previstas atividades como conferências, apresentação de comunicações em grupos de trabalho e mini-cursos. O SIMSOCIAL – Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade tem como público-alvo pesquisadores, professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas à área.
A Universidade da Amazônia está sendo representada pela Professora Doutora Ivânia Neves e pela aluna
do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura,

 Hellen Maria Alonso Monarcha com o artigo que tem como tema:

Resumo: Neste artigo, tomando como principais reflexões teóricas as discussões de Manuel Castells e Martín-Barbero, pretendemos analisar o atual momento das diferentes relações que os povos indígenas estabelecem com a rede mundial de computadores. Existe, de fato, uma possibilidade da tão discutida recepção ativa na internet vir a ser uma prática social entre eles? Como a sociedade brasileira, de forma geral compreende as novas tecnologias e os povos indígenas? Na parte final, falaremos especificamente sobre a experiência, que teve início sistemático no final de 2009, com as novas tecnologias da informação e da comunicação e o povo indígena Aikewára. Ainda que a história das sociedades indígenas e seus contatos com as mídias ocidentais tenham deixado um rastro bastante negativo, a realização de alguns projetos entre eles mostrou que também é possível colocar as tecnologias a favor da diversidade cultural.

sábado, 1 de outubro de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (outubro)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Fire in Amazon Indigenous Reserve

    Tiapé Suruí, member of an indigenous community of Amazon region named Suruí Aikewára, tells a sad fact that happened in the end of the year 2010.
    According to his information, someone traveling by the road that crosses the Aikewára’s reserve called Sororó Land, threw a cigarette butt by the window of a truck that provoked a terrible fire the brought severe damages to the Aikewára people.
    As a result of this criminal fire the reserve lost a large biodiversity and, the Indians were seriously damaged in relation to raw material to produce the handcrafts that they produce in order to save some money to buy important things to them. The consequence of this: this year the Aikewára Indians do not have a reap and now it is necessary to buy the food that before they produced.
    The smoke of the fire was another serious trouble. Many Aikewára Indians, adults and children, had breathing and eye problems.
    Nowadays, the habitants of Sororó Land are living with many difficulties because they do not have any help to replant the species. Tiapé Suruí says that the only way to bring back the quality of life and the economical independence of his people is investing in sustainability.
   This tragedy probably caused by a non-Indian person must offer to everybody a reflection about respect and responsibility in relation to the people that live in the forest regions.


Written by: Joel Pantoja e Raimundo Tocantins
Translated by: Raimundo Tocantins

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (setembro)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Aikewára - Amazon´s Indigenous People: Among tradition and changes


 The material things are not too important to the Indians, they change their homes and even the place that they use to settle down.
The Aikewára Indians used to change the place that they live with the purpose of restructure the land. It is an important model of sustainability used by them. They take from the forest just the enough to their sustain.
About thirty years ago the Aikewára had their last change. It happened because Mussenai, an important leader of this people said them: “we must change the place where we live without looking back”. The older Aikewára use to say that the spirit of Mussenai is still in the old village.
In the same year the Brazilian government built brick houses to the Aikewára. Some questions can be asked: how long they will stay in this place? What is the future of these Indians?
Throughout its history the Indians proved to be a strong people but nowadays they may face their biggest challenge: conciliate the new and the old. The TV and the narratives told around the campfire, the brick house and the house of straw, the medical remedies and those made from herbs taken from the forest.
Perhaps they have the answer. It is a matter of paying attention carefully. Look at the picture again.

Written by Lariza Gouvêa.
              Translated by Raimundo Tocantins.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Triste grafismo.

O índio teve sua terra invadida, sua casa destruída, sua floresta verde devastada, queimada, roubada.

Quando o não-índio queria matá-lo sem massacrá-lo, colocava roupas de pessoas que tiveram enfermas com catapora, rubéola, pelos caminhos dos índios.

Caminhos onde a terra era piçarra, as árvores bem altas e se ouvia o observar dos bichos.

Caminhos que foram transformados em estradas, rodovias de asfalto esburacado, esquecidas, mas necessárias para nossos políticos. Ao redor não tem mais árvores, mas sim uma imensidão de pasto.

Mudaram tudo, o nome de tudo, o nome de quem.

Misturaram tudo e tudo foi sendo aceito, pelas crianças, pela paz, por esperança...

E agora isso?Por que ainda mais?!
Me explica como?

Acordar um dia e já tendo sido levado tudo, arrancam-lhe também toda a pele do corpo e te pintam com outra, só pra dizer depois que foi uma troca, como nos tempos de Colombo...

 Charge tirada do Jornal Amazônia, edição 08 de Julho de 2011.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (agosto)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Funai localiza novo grupo de índios isolados no Amazonas

A Funai (Fundação Nacional do Índio) afirmou nesta terça-feira (21) que localizou, no Vale do Javari, no Amazonas, uma nova comunidade de índios isolados. Informações preliminares apontam ara a existência de cerca de 200 pessoas e que o grupo pode pertencer à família linguística Pano.
Em nota, a Funai disse que a localização do grupo foi realizada primeiramente por satélite e que depois foi confirmada durante sobrevoo em abril deste ano, com apoio do CTI (Centro de Trabalho Indigenista). A expedição aérea avistou três clareiras com quatro grandes malocas no total. 

Segundo o coordenador da Frente do Vale do Javari, Fabricio Amorim, em nota divulgada pela Funai, "a roça, bem como as malocas, são novas, datadas de no máximo um ano. O estado das palhas usadas na construção, e a plantação de milho indicam isso. Além do milho, havia banana e uma vegetação rasteira que parecia ser amendoim, entre outras culturas". 
A Funai diz que, até o momento da confirmação, a presença desses índios isolados era apenas uma referência "em estudo", pois havia relatos de sua existência, sem informações conclusivas sobre a exata localização e características da comunidade.
"Na Terra Indígena Vale do Javari há um complexo de povos isolados considerado como a maior concentração de grupos isolados na Amazônia e no mundo", avalia Amorim.
Ele diz também que "entre as principais ameaças à integridade desses grupos estão a pesca ilegal, a caça, a exploração madeireira, o garimpo, atividades agropastoris com grandes desflorestamentos, ações missionárias e situações de fronteira, como o narcotráfico. Outra situação que requer cuidados é a exploração de petróleo no Peru, que pode refletir na Terra Indígena do Vale do Javari".
VALE DO JAVARI
Oficialmente, a Funai reconhece a existência de 14 referências de índios isolados no Vale do Javari. Esse levantamento, no entanto, está em reformulação e o número pode aumentar. Atualmente há oito grupos de índios isolados com malocas, roças e tapiris (espécie de choupana) já localizados por sobrevoo ou por expedições terrestres.
Entre os anos 2006 e 2010, foram localizados mais de 90 indícios da ocupação territorial desses grupos. Essas observações apontam para a existência de uma população de aproximadamente 2.000 pessoas na Terra Indígena do Vale do Javari. 
Folha.com
                                                                                                        
    

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (julho)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (junho)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MC's Guaranis: O que levou os garotos de uma reserva indígena em Mato Grosso do Sul a adotar o hip hop como cultura e a criar o primeiro grupo de rap indígena no Brasil.

Os olhos do índio Bruno Verón dizem que algo na aldeia não vai bem. Junto a três outros jovens da mesma tribo, ele tranca o sorriso, amarra o Nike e mira o alvo: o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. André está sentado na primeira fileira ao lado do prefeito de Dourados, Murilo Zauith, e de vereadores que inauguram com festa e discursos a Vila Olímpica Indígena da região, um espaço esportivo com campo de futebol e quadras de basquete. Bruno terá sua chance logo depois das meninas dançarinas da etnia terena. Assim que o locutor anuncia a entrada de seu grupo de rap, o Brô MC"s, o índio procura pelo governador na plateia e joga a lança: "Esta vai pra vocês que não conhecem nossa realidade, que não sabem dos nossos dilemas. Aldeia unida, mostra a cara!"
Goldemberg Fonseca/Divulgação
Goldemberg Fonseca/Divulgação
É nóis. Clemerson (E), Charles, 
Bruno e Kelvin formam o Brô MC’s
A real que Bruno canta forte, em uma mistura de guarani e português, está bem perto daquele complexo esportivo de R$ 1,6 milhão cheirando a tinta. Sua casa de quatro cômodos é dividida entre ele, a mãe, o pai e cinco irmãos. O avô morreu espancado supostamente por capangas de fazendeiros que queriam os indígenas longe dali. O irmão mais velho escapou por pouco, mas leva um projétil alojado na perna. Na casa dos Verón, arroz e feijão são lei. Carne, pouca. Salada, "coisa de paulista". Mandioca brota no quintal. Banho, só de caneca. A geladeira está quebrada. A TV funciona. O Playstation, também. E sempre, a qualquer hora, os celulares dos garotos tocam Eminem, Snoop Doggy, Racionais, MV Bill e Fase Terminal.
O hip hop chegou às reservas indígenas de Mato Grosso do Sul como se fossem ali as quebradas do Capão Redondo. Para os filhos adolescentes das 15 mil famílias das etnias terena, guarani-caiová e guarani-nhandéva, era como se cada verso tivesse sido criado para suas próprias vidas. Se Mano Brown fala de conflitos entre pobres e policiais, eles têm pais e avôs retirados de suas terras a tiros pelo homem branco. Se MV Bill cita o tráfico de drogas, seus amigos estão cada vez mais fascinados pelo crack. "É uma das regiões mais problemáticas do Brasil", diz o antropólogo especialista no grupo guarani há 40 anos, Rubem Thomaz de Almeida.
A luva também serve quando o assunto é música. O ritmo duro e constante de uma expressão 90% percussiva estaria facilmente em um ritual caiová. "Eu não pensava nessas coisas antes do rap. Ele que me fez ver nossa situação", diz Bruno Verón.
Foi em Bruno e no seu irmão Clemerson que o ritmo bateu primeiro. "É nossa chance de sermos ouvidos fora da aldeia", diz o líder. Kelvin e Charles, os outros dois integrantes e também irmãos entre si, foram recrutados na escola. Apesar dos nomes, todos são legítimos guarani-caiovás. Há muitos jovens registrados com "nomes brancos" na aldeia, como se percebe em uma conversa rápida com os garotos sobre rock and roll. "E vocês conhecem os Beatles?" "Sim, o John Lennon mora logo ali", fala Charles, apontando para a vizinhança. Ele ri, mas é sério. John Lennon, Elton John, Jack, Jackson e Sidney Magal são índios de 16, 17 e 18 anos que também escutam rap. Os meninos andam pela reserva com camisetas do Eminem e dos Racionais MC"s, tênis de basquete, bonés coloridos e celulares tocando rap. Quando se encontram, tocam as mãos abertas e depois fechadas como se faz na cidade. Muitos aprendem a dançar break em oficinas ministradas pela Cufa (Central Única de Favelas). Em uma delas, Higor Marcelo, cantor do grupo Fase Terminal, conheceu os garotos e passou a produzi-los. "Fiquei maravilhado quando ouvi", diz. Higor fez um CD demo dos garotos e agora fecha a produção para o fim do ano de um primeiro disco do Brô MC"s.
Os ventos sopram a favor dos rappers da aldeia. A primeira vez que saíram de suas terras foi em setembro de 2010, quando fizeram um show nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Uma garrafa pet guarda a água do mar que Kelvin trouxe de Copacabana. "Era muito salgada!" São Paulo eles conheceram em dezembro, quando fizeram um show no Sesc Belenzinho. "É abafado, parece que não tem ar." Ele sorri de uma teoria sua sobre as placas das ruas que viu. "Anhanguera é um diabo velho. Anhangabaú é espírito mal do rio. A gente diz aqui que vocês foram a um pajé bêbado para dar nome aos lugares." Os Brô MC"s tocaram também em Brasília, na posse da presidente Dilma Rousseff.
E, assim, suas vidas vão ganhando instantes de fama. Clemerson é o mais procurado pelas garotas. "A gente dá autógrafo." Os olhos de guerreiro de Bruno são só para o palco. Fora dele, é um cavalheiro. Ao sair com o repórter pela aldeia de bicicleta, sugere uma caminhada quando sente o pulmão do parceiro saltando pela boca. Enquanto caminhamos, ele fala mais. Ao ver que o repórter usa aparelho dentário... "Eu tinha que usar isso, mas minha mãe disse que um raio poderia cair em mim." Ao passarmos por uma embalagem de camisinha jogada na estrada... "Aids aqui tem bastante, mas muitos meninos casam cedo, com 12, 13 anos." E ele? Não namora? "Namoro é como prisão, não dá pra fazer mais nada." Bruno é um cavalheiro e um sábio.
Um de seus raps se chama Tupã e mostra que o Brô MC"s já cria seu próprio discurso. "Aldeia, a vida mais parece uma teia / que te prende e te isola, não quero tua esmola / nem a sua dó, minha terra não é pó / meu ouro é o barro onde piso, onde planto / e que suja seu sapato quando vem na reserva fazer turismo / pesquisar e tentar entender o porquê do suicídio."
O alto índice de suicídio na tribo, sempre por enforcamento, atingiu o ápice em 2009, quando foram registradas uma morte a cada dois dias. "Até que uma criança de 8 anos se matou. Aí paramos para discutir", diz Nestor Verón, pai de Bruno. As explicações não fecham uma lógica. O enforcamento seria um simbolismo. O índio quer se expressar e não pode, então se enforca. Ou estaria passando por uma espécie de choque espiritual com a chegada de grupos religiosos cristãos. Nada é certo. "A alma de um suicida, acreditam eles, não sai pela boca, como deveria, mas pelo ânus. E então é incorporada por outro indivíduo que também irá se enforcar", diz o antropólogo Rubem Almeida.
Seja como for, o dilema se tornou combustível para a identidade de algo que já poderia ser chamado de "rap guarani". Afinal, um índio que se veste como Puff Daddy e diz "e aí mano?" afoga a tradição de seu povo? "A cultura não é estática. Ninguém vive fora do mundo", diz a professora de antropologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Lúcia Helena Rangel. O fenômeno pode aguçar pesquisadores, mas o poder público parece longe de abraçá-lo. Ao fim do show do Brô MC"s na inauguração da Vila Olímpica Indígena, o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, é o único que não aplaude. "Não gostei, porque isso é música estrangeira. E eu sou nacionalista."

Caléndário Aikewára 2011 (maio)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Exposição Aikewára da Semana do índio

Como nasceram os Asuriní ou a História de Uajaré e Y'uu, a grande água


Tudo isso aconteceu no tempo de Mbava. Caiu uma grande água do céu, y’uu. Foi tanta água, que só um homem sobreviveu, Uajaré.

(Mbaiô Asuriní)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Filme " Tekwaeté: a rede Aikewára".



Sinopse: Os índios Arihêra, Maria e Arikassu ensinam as crianças a fazer a Tekwaeté, a rede Aikewára. O filme mostra o trançado dos fios, que guarda toda beleza e delicadeza de sua cultura.


Duração: 6 min

Direção: Maurício Neves Corrêa e Ivânia dos Santos Neves
 
 
 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sustentabilidade na Terra Sororó


Segundo Tiapé Suruí, integrante da sociedade Aikewára, no final do ano de 2010, aconteceu na BR-153, que serve de interligação entre as cidades de São Domingos e São Geraldo do Araguaia, um incêndio criminoso causado por alguém que viajava em um caminhão e provavelmente jogou uma ponta de cigarro.
Em decorrência dessa tragédia houve a destruição dos castanhais; açaizais; materiais para confecção de artesanato como taboca; morte de animais (jabuti, cutia, paca, tatu); destruição das ervas medicinais, seca dos igarapés. Além de todos esse danos, o que servia como fonte de renda como o criatório de abelhas e a roça de mandioca também foi destruído. Por isso, em 2011 os Aikewára não tiveram colheita e estão tendo que comprar os alimentos para o seu sustento. O pouco que restou dos castanhais está servindo para venda para comprar alimentos.
A fumaça da queimada causou sérios problemas de saúde nos habitantes da sociedade Aikewára. Muitos moradores sofreram problemas respiratórios e algumas crianças tiveram seus olhos inflamados.
A partir dessa realidade os Aikewára estão, com muita dificuldade e sem apoio replantando as mudas de espécies que foram queimadas como cupuaçu, bacuri, abacaxi, copaíba, bacaba, açaí, mogno, babaçu.
A sustentabilidade também pode ser um caminho para a independência econômica do povo Aikewára. Na fala de Tiapé ela pode ser voltada inicialmente para a ativação da criação de porcão (porco selvagem) e criação peixe em cativeiro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Murué Aikewára lança livro sobre histórias de seu povo.

 Livro será lançado hoje, dia do índio.

“Histórias dos índios Aikewára”, este é o nome do livro escrito pela índia Murué Suruí da etnia Aikewára. O livro é uma tradução das narrativas que os índios mais velhos de sua sociedade contam. Várias são as histórias: a origem dos Aikewára, a origem da noite e das constelações, etc. O lançamento acontece na Universidade da Amazônia, nesta terça-feira 19, dia do índio.
               
O livro é resultado do projeto da Universidade da Amazônia “Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola”. Segundo a professora Ivânia Neves, coordenadora do projeto, o lançamento deste livro é um momento histórico para os Aikewára, já que é a primeira vez que uma índia desta sociedade assina a autoria de um livro. Segundo Lariza Gouvêa, responsável pelo projeto gráfico do livro, outro fato muito interessante, é que ele foi ilustrado pelos desenhos das crianças Aikewára.
               
Segundo Ivânia, o eixo de todas as atividades do projeto esteve fundamentado nas narrativas orais dos Aikewára, sua principal fonte de conhecimento. “Durante as oficinas, pudemos observar que alguns jovens passaram a fazer questão de traduzir para a escrita as histórias que os mais velhos contam. É com grande prazer que apresentamos este livro, assinado por uma jovem e talentosa escritora Aikewára. Murué Suruí, mais do que qualquer um de nós, está absolutamente autorizada a escrever as histórias de seu povo”.

Além do livro de Murué, mais dois livros serão lançados pelo projeto. A obra “Sentidos da pele Aikewára: urucum, jenipapo e carvão” tem como tema o grafismo Aikewára. De autoria de Ivânia e do jornalista Maurício Neves, o livro mostra as relações da floresta amazônica com as pinturas corporais Aikewára. Esta obra foi uma solicitação que a índia Maria Suruí fez a equipe do projeto, é ela que assina as ilustrações.

O livro “Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias da escola”  reúne uma série de textos produzidos por pesquisadores e alunos de mestrado e de graduação da UNANA, que de alguma forma participaram do projeto. No centro das discussões estão os debates sobre diversidade cultural e as tecnologias de comunicação e informação. O livro inaugura um debate sobre Estudos Culturais e processos de mediação com sociedades indígenas na Amazônia.
Os Suruí Aikewára são índios castanheiros que vivem na terra indígena Sororó (um grande quadrado de floresta preservada) entre os rios Araguaia e Tocantins no sul do Pará. Segundo o ultimo senso da aldeia, os Aikewára são pouco mais de 300 índios.

Serviço:

Lançamento dos livros: “Histórias dos índios Aikewára” e "Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão"

Campus Alcindo Cacela, Auditório David Mufarrej , terça-feira 19 de abril às 19 h.


Murué e Ywatinywwa.
Murué e Ywatinywwa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Terra Indígena Sororó

Sentidos da pele Aikewarára.

Pintura corporal.

sábado, 16 de abril de 2011

Lançamento do livro "Sentidos da pele Aikewára: urucum, jenipapo e carvão.

Lançamento
Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej
Dia 19 de abril 19h

Livro "Histórias dos índios Aikewára"


Lançamento
Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej
Dia 19 de abril 19h

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Programação atualizada

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CESA – CCHE
Mestrado de Comunicação, Linguagens e Cultura
Comunicação Social - Letras


Semana do Índio: A sociedade indígena e as fronteiras contemporâneas

Todos os anos, quando se aproxima o dia 19 de abril, o Dia do Índio, as escolas e a mídia logo se movimentam para "prestar uma homenagem ao "índio".
O grande problema desta história é que tanto a escola como a mídia, de uma maneira geral, falam de um índio genérico, como se fossem todos iguais, tivessem uma mesma cultura, falassem a mesma língua. Talvez fosse melhor dizer que dia 19 de abril é o dia dos Aikewára, dos Tembé, dos Mbyá-Guarani, dos Asuriní do Xingu, dos Ianomâmi, dos Maias, dos Incas...

Menina Aikewára / Foto Alda Costa
A Universidade da Amazônia reunirá pesquisadores, professores e alunos nos dias 18 e 19 de abril, com a finalidade refletir sobre a inserção das sociedades indígenas nas fronteiras contemporâneas. O evento faz parte do programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e dos cursos de Comunicação Social e Letras.

Campus BR
Auditório 01

Dia: 18/04/11
19:00 horas:
Mesa - redonda “As influências do Tupi-Guarani na cultura contemporânea”.
Apresentação: Profa. Ivânia dos Santos Neves
Apresentação:Profa. Vânia Torres
Prof. Dr. Félix Gerard Ibarra Prieto
Prof. Paulo Barradas - “A condição do Índio na Lei”
Representante Aikewára – Tiapé Suruí

20:00 horas:
Mesa-redonda:
"Mídia e sociedades indígenas na Amazônia"
Apresentação:Profa. Vânia Torres
“Sociedades Indígenas e as Novas Tecnologias da Educação”
Profa. Dra. Alda Cristina Costa (UNAMA)
“Os Estudos Culturais e o projeto Crianças Suruí-Aikewára”Prof. Dr. Agenor Sarraf(UFPA)
“Primeiros passos dos Aikewára no Twitter”
Hellen Monarcha (UNAMA-mestranda)
“A fotografia entre os Aikewára”
Lariza Moraes Gouvêa (aluno do curso de Direito)


21:00 horas
Lançamento do livro: “Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias da escola”
Ivânia dos Santos Neves (org.)
Alda Costa(org.)

O livro reúne uma série de textos produzidos por pesquisadores e alunos de mestrado e de graduação da UNANA, que de alguma forma participaram do projeto. No centro das discussões estão os debates sobre diversidade cultural e as tecnologias de comunicação e informação. O livro inaugura um debate sobre Estudos Culturais e processos de mediação com sociedades indígenas na Amazônia.

Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej
Dia 19 de abril

19: 00
Fala do Reitor

19:30
1. Mesa-redonda: Sociedades Indígenas e Reflexões sobre Educação na Amazônia
Apresentação: Prof. Dr. Paulo Nunes
“Povos tradicionais na Sala de Aula”
Elizabeth Pessôa Gomes da Silva (UNAMA – Mestrado – Curso de Pedagogia)
“Entre as Novas Tecnologias e as Narrativas Orais”
Prof Dr Ivânia Neves (Mestrado – Comunicação Social e Letras)
“Letramento Aikewára”
Bruna Sagica ( bolsista , monitora graduação de Letras - UNAMA)

"Narrativas orais, jenipapo e os caminhos dos sentidos Aikewára"
Apresentação: Prof Ms Elaine Oliveira ( representando NDE de Letras )
“Atravessamentos possíveis: o Curso de Bacharelado em Moda e Sociedades Indígenas” Profa.Rosyane Rodrigues
“Vestidos de Floresta: a roupa tradicional Aikewára”
Maurício Neves Corrêa (mestrando UNAMA)
“A importância das narrativas orais para os Aikewára”
Murué Suruí (Representante Aikewára)


2. Lançamento dos livros: "Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão" e Sessão de autógrafos

"Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão
Ivânia dos Santos Neves
Maurício Neves Corrêa

Este livro é resultado da pesquisa realizada no projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola. O projeto serviu também como uma grande ação de afirmação da cultura Aikewára. Em meio às oficinas e às ações do projeto, vimos surgir, com muita força o garfismo Aikewára. Se nas primeiras filmagens, eles apareceram com roupas ocidentais, depois de se virem nas telinhas, os Aikewára fizeram questão de usar sua roupa mais tradicional: os desenhos da floresta em sua pele.





Histórias dos Índios Aikewára
Murué Suruí (Representante Aikewára)

O eixo de todas as atividades do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola esteve fundamentado nas narrativas orais dos Aikewára, sem dúvida, sua principal fonte de conhecimento. Durante as oficinas, pudemos observar que alguns jovens passaram a fazer questão de traduzir para a escria as histórias que os mais velhos contam. É com grande prazer que apresentamos este livro, assinado por uma jovem e talentosa escritora Aikewára. Murué Suruí, mais do que qualquer um de nós, está absolutamente autorizada a escrever as histórias de seu povo.

Exposição: Sobre a Arte Aikewára
Espaço: Galeria Graça Landeira


20/04/11
Lançamento na rede do filme: “Tekwaeté: a rede Aikewára, no aikewara.blogspot.com”
Visite: http :// aikewara.blogspot.com

Apoio:
Núcleo Cultural / Casa da Memória

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"A História da Lua ou como Arimajá pretou a cara de Jay" uma história dos índios Asuriní



Moreyra Asuriní conta a História da Lua ou como Arimajá pretou a cara de Jay.

"Depois que Arimajá passou jenipapo em seu rosto, Jay ficou com muita vergonha da cara preta dele e todos os índios riam dele. A lua mandou flechar o céu e pediu aos bichos que fizessem um caminho para ele ir embora."

O narrador desta história, Moreyra, é um dos mais importantes pajés Asuriní. Sua presença foi fundamental no processo de reestruturação social depois da intensa depopulação vivida pelo grupo. Entre os Asuriní não existe uma liderança política centralizada em um cacique. Embora muitas vezes a Funai já tenha tentado estabelecê-la, inclusive já tentaram tornar o Moreyra esta liderança.

Os índios Asuriní do Xingu são um pequeno grupo Tupi, vivem na Terra Indígena Kwatinemo no Pará e são conhecidos internacionalmente por seus grafismos.
(Ivânia Neves)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Arihêra.

Arihêra
Foto: Maurício Neves


             "Os primeiros Aikewára que filmei, mostravam-se tímidos frente à filmadora. Além do mais, eles não tinham muita confiança em nós, afinal, muitos kamará já tinham ido filmá-los e nunca voltaram para mostrar o resultado. Porém, uma índia se destacava quando o assunto era filmagens, esta índia chama-se Arihêra Suruí.
            Arihêra faz parte do grupo de sobreviventes à depopulação. Ainda bem jovem, no final dos anos de 1960, ela foi um fundamental no processo de reestruturação social deste povo. Hoje, ela é a principal mestra de saberes e tradição de seu povo.
          
            Casada com Umassú Suruí e mãe de 04 filhos, ela hoje é uma das principais lideranças Aikewára. Talvez a pessoa mais autorizada para falar sobre a cultura Aikewára. Foi graças a ela que a rede tradicional Suruí não desapareceu. Arihêra é também a grande cozinheira da aldeia. Em sua casa, a comida tradicional Suruí nunca deixou de ser servida. Dona de uma habilidade performativa privilegiada, ela é uma das principais contadoras das histórias Aikewára." (Retirado do livro "Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias")

Arihêra é a personagem principal do curta "A Rede Aikewára", que será lançado neste blog no dia 20-04.

sábado, 9 de abril de 2011

Caléndário Aikewára 2011 (Abril)

Narrativa Aikewara: Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o fogo Aikewára

Há muito tempo, no meio da floresta, na época em que nós, Aikewára ainda éramos brabos, vivia um indiozinho malinador. Por mais que seus pais o alertassem sobre os perigos da vida, ele teimava em não acreditar na sabedoria de nosso povo.
Naquela época, o mundo era mais frio e mais escuro, ainda não existiam Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o vento.
Os índios Aikewára brabos também eram conhecedores de muitos segredos do Universo. O indiozinho era muito curioso e vivia perguntando sobre tudo. Um dia, ele viu uma cabaça fechada e quis saber o que havia lá dentro. Os mais antigos lhe disseram que o índio que mexesse naquela cabaça sagrada seria duramente castigado. Parece que essas palavras aumentaram ainda mais o desejo do jovem índio.
Alguns dias se passaram e ele não tirava da cabeça o desejo de abrir a cabaça. Até que um dia...
Todos estavam ocupados e o pequeno índio ficou sozinho diante da cabaça. Nervoso, o indiozinho malinador sentiu um frio na barriga. Suas mãos suavam... “Será duramente castigado...”
De uma vez só ele abriu a cabaça. De dentro saíram o fogo e o vento com tanta violência, que mataram o indiozinho. O vento se soltou e se espalhou pelo Universo. Já o fogo... Bem, o fogo também se espalhou no céu. Durante o dia, transformou-se em Kwarahy e ajudou a melhorar nossas roças.

À noite, ele se transformou em Sahy, só que nós dormíamos nesse período e Sahy ficava muito sozinho. Então, o fogo resolveu lhe dar um filho e criou Sahy-Tatawai. Ele não fica o tempo todo do lado do pai, mas podemos vê-los juntos no início da noite e no final da madrugada, brilhando no céu.

A história Kwarahy, Sahy, Sahy-Tatawai e o fogo Suruí me foi narrada por Arihêra Suruí. Era noite, mas o céu estava coberto de nuvens. Não pudemos ver nem a Lua nem as estrelas e os Suruí se ressentiam muito disso. Com a convivência entre eles, aprendi que não gostavam de contar histórias que envolvessem as estrelas, durante o dia. Ficavam incomodados de não poder mostrá-las, por isso as narrativas deveriam ser contadas preferencialmente à noite.

Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Semana do Índio: A sociedade indígena e as fronteiras contemporâneas - Programação

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CESA – CCHE
Mestrado de Comunicação, Linguagens e Cultura
Comunicação Social - Letras

Todos os anos, quando se aproxima o dia 19 de abril, o Dia do Índio, as escolas e a mídia logo se movimentam para "prestar uma homenagem ao "índio".
O grande problema desta história é que tanto a escola como a mídia, de uma maneira geral, falam de um índio genérico, como se fossem todos iguais, tivessem uma mesma cultura, falassem a mesma língua. Talvez fosse melhor dizer que dia 18 de abril é o dia dos Aikewára, dos Tembé, dos Mbyá-Guarani, dos Asuriní do Xingu, dos Ianomâmi, dos Maias, dos Incas...
Menina Aikewára / Foto Alda Costa
A Universidade da Amazônia reunirá pesquisadores, professores e alunos nos dias 18 e 19 de abril, com a finalidade refletir sobre a inserção das sociedades indígenas nas fronteiras contemporâneas. O evento faz parte do programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e dos cursos de Comunicação Social e Letras.



Campus BR - Auditório 01
Dia: 18/04/11

19:00 horas:
Mesa - redonda: “As influências do Tupi-Guarani na cultura contemporânea”.

Prof. Dr. Félix Gerard Ibarra Prieto
Prof. Paulo Barradas - “A condição do Índio na Lei”
Representante Aikewára – Tiapé Suruí


20:00 horas:

Mesa-redonda: "Mídia e sociedades indígenas na Amazônia"


Apresentação: Vânia Torres
Profa. Dra. Alda Cristina Costa (UNAMA)
Profa. Dra. Ivânia Neves (UNAMA)
Prof. Dr. Agenor Sarraf(UFPA)
Hellen Monarcha (UNAMA-mestranda)

21:00 horas
Lançamento do livro: “Crianças Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias da escola”
Ivânia dos Santos Neves (org.)
Alda Costa(org.)
Textos: Agenor Sarraf, Alda Costa, Hellen Monarcha, Lariza Gouvêa, Bruna Sagica, Maria Adriana Azevedo, Ivânia Neves, Maurício Neves Corrêa
O livro reúne uma série de textos produzidos por pesquisadores e alunos de mestrado e de graduação da UNANA, que de alguma forma participaram do projeto. No centro das discussões estão os debates sobre diversidade cultural e as tecnologias de comunicação e informação. O livro inaugura um debate sobre Estudos Culturais e processos de mediação com sociedades indígenas na Amazônia.


Campus Alcindo Cacela
Auditório David Mufarrej

1. Mesa-redonda:" Narrativas orais, jenipapo e os caminhos dos sentidos Aikewára"
Apresentação: Prof Ms Elaine Oliveira ( representando NDE de Letras )
Prof Dr Ivânia Neves (UNAMA)
Maurício Neves Corrêa (mestrando UNAMA)
Bruna Sagica ( bolsista , monitora graduação de Letras - UNAMA)
Murué Suruí (Representante Aikewára)

2. Lançamento dos livros:

"Sentidos da Pele Aikewára: Urucum, Jenipapo e Carvão" e Sessão de autógrafos
Ivânia dos Santos Neves
Maurício Neves Corrêa
Este livro é resultado da pesquisa realizada no projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola. O projeto serviu também como uma grande ação de afirmação da cultura Aikewára. Em meio às oficinas e às ações do projeto, vimos surgir, com muita força o garfismo Aikewára. Se nas primeiras filmagens, eles apareceram com roupas ocidentais, depois de se virem nas telinhas, os Aikewára fizeram questão de usar sua roupa mais tradicional: os desenhos da floresta em sua pele.

"Histórias dos Índios Aikewára"
Autora: Murué Suruí
O eixo de todas as atividades do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola esteve fundamentado nas narrativas orais dos Aikewára, sem dúvida, sua principal fonte de conhecimento. Durante as oficinas, pudemos observar que alguns jovens passaram a fazer questão de traduzir para a escria as histórias que os mais velhos contam. É com grande prazer que apresentamos este livro, assinado por uma jovem e talentosa escritora Aikewára. Murué Suruí, mais do que qualquer um de nós, está absolutamente autorizada a escrever as histórias de seu povo.

Exposição: Sobre a Arte Aikewára
Espaço: Galeria Graça Landeira







20/04/11

Lançamento na rede do filme: “Tekwaeté: a rede Aikewára, no aikewara.blogspot.com”

Visite: http :// aikewara.blogspot.com

Clip Sapurahai: Música e Dança Aikewára



O Sapurahai é um dos elementos mais bonitos e importantes da cultura Aikewára. Os índios exibem com orgulho suas antigas cantigas e seus passos de danças, firmes e fortes...
Este clip foi produzido durante a realização do projeto "Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola", realizado pelo Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e pelo curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia - UNAMA

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Como nasceu o homem branco

    Era a estação das chuvas. Caia mais água do céu do que de costume. Os índios Apinagé estavam enfrentando dificuldades. Eles começaram a pedir aos deuses que aliviassem aquela chuva. Kolte, o Sol e Kolre, a Lua são os deuses criadores da nação Apinagé. Kolte, o deus maior, meio aborrecido com alguns índios do grupo, decidira castigar o grupo.
    Kolre, penalizado, resolveu enviar para viver com eles. Kupen, um indiozinho dotado de poderes mágicos que, se não podiam fazer parar de chover, pelo menos não lhes deixariam morrer de fome.

    Nigõmo, uma jovem índia Apinagé, engravidou. Seu irmão não se conformava com a gravidez, exigia o nome do pai. A índia não sabia explicar e o irmão amaldiçoava a criança. Chegou a estação da seca e já se aproximava de novo a estação das chuvas, quando Kupen nasceu. Os homens da família não aceitavam a criança.
    Um dia, as mulheres estavam indo buscar mandioca na florest

a e o pequeno Kupen ia junto. De repente, ele encheu todos os cestos de mandioca. Os homens, vendo as mulheres voltarem tão rápido, estranharam. O irmão de Nigõmo quis saber o que havia acontecido. Quando disseram, ele começou a afirmar que o sobrinho tinha que morrer. Para ele, isso era a prova de que aquela criança era amaldiçoada.
    O tio resolveu dar um fim em Kupen. Na manhã seguinte, sumiu na floresta com o menino e enterrou o sobrinho vivo. Para surpresa do tio, à noite, Nigõmo tranqüilamente amamentava o filho, sentada na rede. Aborrecido, o índio afirmava que no dia seguinte daria um ponto final na situação.
    Na manhã seguinte reuniu os outros homens da família e partiu com o pequeno Kupen para cima de um penhasco. Lá, arremessou o indiozinho, na frente de todos.

    Perplexos, os índios viram a criança se transformar em uma folha, que deslizava delicadamente com o vento, até chegar ao chão. Inconformado, seu tio desceu, pegou a folha e queimou...
    Algum tempo depois, os Apinagé começaram a avistar uns animais diferentes: cavalos, bois, galinhas. Ouviram também uns barulhos estranhos e assustadores, eram disparos de armas de fogo. Era o começo de uma nova civilização. Kupen voltou à forma humana como branco e resolveu se apossar das terras dos índios.
Adaptação resumida:
Ivânia dos Santos Neves

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Astronomia Aikewára - Eisu, uma constelação Tupi

A astronomia é a ciência que estuda o céu. E como toda ciência praticada pelo homem, ela é regida por seus desejos e suas necessidades. Diferentes culturas olham para o céu de diferentes formas.
A etnoastronomia significa uma maneira de estudar a astronomia, respeitando as diferenças culturais. Todo conhecimento produzido sobre o céu, inclusive o ocidental, é marcado pela cultura e pela história de quem o produziu.

No imaginário Aikewára, o céu remete a representações próprias do seu universo cultural. A forma como identificam os astros celestes, a correlação de atividades cotidianas às estações climáticas e suas narrativas orais sobre a origem das constelações, do Sol, da Lua, das estrelas traduzem sua cosmovisão e deixam ver uma racionalidade construída a partir da cultura e da história Aikewára.

Existe uma constelação que está presente no céu de quase todas as sociedades Tupi e que podemos ver também com os olhos dos Aikewára, trata-se de Eisu, que em português significa casa de abelhas.

 Eisu - casinha de abelhas
constelação Aikewára
 
Na região em que os Aikewára vivem, ela aparece no início da noite, no primeiro semestre. É o momento em que eles estão colhendo a safra da castanha, no período das chuvas.
 
Eisu está localizada no Norte Celestial e no zodíaco ocidental, ela é conhecida como as Plêiades.
 
As Plêiades

Esta constelação apresenta uma curiosa irregularidade em sua trajetória. Mesmo quando o céu Norte está visível, o que acontece durante um período de 06 meses, sem que ninguém tenha conseguido explicar por que, Eisu desaparece por quase dois meses.


Vários sociedade Tupi identificam esta constelação:
- A denominação Eixú aparece catalogada no Vocabulário Tupi com o significado de Casa de Abelha.
- Couto de Magalhães (1914), no século XIX registrou que havia uma constelação indígena denominada Eixú.
- Lévi-Strauss, em Astronomia Bem temperada (1991), analisa mitos indígenas relacionados às Plêiades, e, embora não associe a palavra Tupi à constelação ocidental, ele cita Eixú como uma constelação indígena.
- Para os Asuriní do Xingu e os Mbyá-Guarani de São Miguel das Missões, Eixú também está presente no céu.

Ivânia dos Santos Neves