sábado, 18 de dezembro de 2010

Os Aikewára na rede.


Como já mencionado, alguns índios Aikewára estiveram em Belém para a Semana de comunicação da UNAMA- Universidade da Amazônia.
Em sua jornada em Belém, os Aikewára participaram ativamente mais uma vez dos espaços da internet... Os mais jovens Tiapé e Murué Suruí, respectivamente, blogaram textos sobre a queimada que ocorreu na Terra indígena Sororó e sobre a importante festa para os espíritos dos antepassados que ocorre de quatro em quatro anos: Karuara. Os mais velhos Arihêra, Arikassu, Maria e Umassú ficaram muito satisfeitos de se virem no YouTube, “porque outros povos já estão aí, faltava os Aikewára”.
A aluna de mestrado de comunicação da UNAMA Hellen Monarcha ajudou @tiapesurui e @muruesurui a criarem suas contas no twitter. E eles já deram seus primeiros “pios”.
Os Aikewára possuem suas redes tradicionais, mas começam a se embalar também em outras redes!
Ano que vem, eles já vão estar preparadíssimos para o 2º Simpósio Indígena sobre usos da Internet no Brasil. Quem quiser saber mais: http://www.usp.br/nhii/simposio/


domingo, 12 de dezembro de 2010

Um sorriso de criança.



A cada sorriso de criança uma estrela no céu surge.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tapi'i'rapé: o Caminho da Anta



Sinopse: Apí Suruí narra como surgiram as constelações Aikewára. A anta e outros animais vão para o céu através de um caminho de flechas.

Duração: 8 min

Direção: Maurício Neves Corrêa e Ivânia dos Santos Neves


Mais informações

Documentário paraense sobre Índios Aikewára é lançado na internet

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lançamento do filme "Tapi'i'rapé: o Caminho da Anta", no YouTube

Nos dias 02 e 03 de dezembro estará acontecendo o III Simpósio de Hipertexto, na UFPE, em Recife, que tem por objetivo discutir os novos rumos da educação na rede mundial de computadores.
Nós participaremos com uma comunicação coordenada "e-aikewara: inscrições de jenipapo no ciberespaço" e com o pôster virtual "Oficina de Fotografia Aikewára".
No dia 03 de dezembro, às 15h, durante as apresentações, será colocado na rede mundial de computadores, no YouTube o filme "Tap'i'rapé: o Caminho da Anta".

Convite!


O filme mostra como nasceram as constelações Aikewára. Esse filme é parte da produção do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola, que objetiva ajudar na construção de um currículo escolar que traduza a cultura tradicional desta sociedade e contribua para a efetivação de uma escola indígena realmente diferenciada.


sábado, 27 de novembro de 2010

Os Aikewára em Belém parte III.


Em sua jornada em Belém, as mulheres Aikewára Arihêra, Maria e Murué Suruí ministraram uma oficina de grafismo indígena. Elas falaram da fabricação da tinta de jenipapo, dos desenhos e seus significados e responderam a curiosidades dos estudantes.

A professora e antropóloga Ivânia Neves também esteve presente, falando sobre o grafismo indígena, em especial do povo Aikewára que estudou tanto em sua dissertação de mestrado, quanto em sua tese de doutorado.

Oficina de grafismo indígena.
Todos os estudantes que participaram da oficina fizeram questão de se pintar, tanto pelo despertar do seu "eu amazônico", quanto pela honra de carregarem por alguns dias desenhos com significados de animais e plantas do povo da floresta, ou seja, “Nós, a gente”, que em outra língua significa Aikewára.

A verdade, é que em algumas regiões do Brasil, que é o caso do Norte, as semelhanças com os índios é visível. Eu própria levantei dúvida se era ou não Aikewára, como me relatou a estudante Vivian Nery Mendes: “quando tu entraste, não sabia se era ou não índia...”.
                                              
 Eu e Arihêra Suruí, passa por mãe e filha?
Enquanto as mulheres faziam seu grafismo corporal em estudantes, os índios Arikassú, Umassú e Tiapé Suruí, gravavam no estúdio do Labcom (laboratório de comunicação da Unama) as músicas que fariam parte do DVD Sapurahai- A música e a dança Aikewára.

Os Aikewára se foram, deixando muitas saudades e nada mais apropriado que encerrar os textos dos “Aikewára em Belém” na própria língua deles:
- Asaricó!

Guerreiros.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Por seus próprios olhos.



Oficina de fotográfia na aldeia -

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No embalo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Karuwara


Foto:Gil Xavier


O Karuwara é uma festa espiritual que é realizada de quatro em quatro anos, depois das queimadas das roças.Para nós, povo Aikewára é muito importante realizar essa festa, porque o Karuwara é o espírito dos nossos antepassados.

Alguns homens da aldeia fazem uma casa igualzinha as dos antepassados para que durante a festa, os espíritos se reúnam dentro da casa para assistirem a dança.



Foto: Gil Xavier


Um dia antes da festa começar, todos que vão participar da dança tem que se pintar, mas só depois que o pajé se pintar, não pode ser antes.

O Karuwara exige muitas regras que tem que ser seguidas e respeitadas rigorosamente, exemplos:

- Durante a festa não pode ter relações sexuais, porque a pele das duas pessoas ficam manchadas de branco e todos ficam sabendo o que eles fizeram;

-Quem começou a dançar não pode faltar a nenhuma dança, tem que ir até o fim, que é quando a pintura do corpo do pajé sair completamente;

Foto: Gilvandro Xavier


-Não pode deixar cocar e nem maracá cair.

-Todos da aldeia tem que acordar antes da dança começar.

-Não pode ficar sozinho em casa e nem deixar criança brincar atrás da casa e principalmente na dos Karuwara.

-Todos os homens participantes tem que entrar na casa dos Karuwara antes e depois da dança para guardar os enfeites e também para o pajé cantar e falar os nomes que estão lá dentro. Depois que ele termina a cantoria todos os mais velhos ficam contando as histórias, como foram as suas caçadas, as suas aventuras. Isso, só até os espíritos se retirarem da casinha e irem até a sua moradia oficial, que é na Serra das Andorinhas, dentro de uma enorme pedra, que é uma gruta. Depois disso todos saem e vão caçar e pescar;


Foto: Gil Xavier




-As mulheres são proibidas de entrar na casinha dos Karuwara, assim como as criancinhas.

-Só são permitidas para as mulheres um tipo de pintura, é da inamuí(pássaro jaó);



Foto: Gilvandro Xavier


-Quem desobedecer essas regras corre o risco de acontecer uma tragédia com ele e com sua família;

-A pintura dos homens é de animais, esse ano a pintura foi de porcão;

-A pintura do pajé é sempre de kururu(sapo).






sábado, 30 de outubro de 2010

Povo Aikewára na TV Cultura do Pará

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os Aikewára em Belém- Parte II

Como já dito anteriormente, os Aikewára viriam a Belém para a semana de comunicação da UNAMA - Universidade da Amazônia. Mesmo que alguns tivessem temores de ter que pegar o vôo Marabá- Belém, mostraram-se guerreiros e atravessaram o Rio Guamá no ar, para mostrar que índios não são "bichos do mato" como dito pela própria Murué.

No dia 19/10(terça-feira), foi exibido o filme Tapi'i'rapé na abertura da semana de comunicação, quando Tiapé Suruí recebeu das mãos do ilustríssimo reitor da UNAMA, Antonio Vaz Pereira, a coletânea dos filmes do projeto "Crianças Suruí- Aikewára:entre as tradições e as novas tecnologias na escola". A coletanêa conta com os filmes: A comida Aikewára, Takaweté - A rede Aikewára, Sapurahai- O canto e a dança Aikewára e Tapi'i'rapé- O caminho da anta, este último trata de uma importante narrativa da cultura Aikewára.

Na ocasião, Tiapé Suruí fez um breve, porém belo discurso em nome da comunidade Suruí, agradecendo às professoras Ivânia Neves e Alda Costa pelo projeto e enfatizando a importância do registro da sua cultura para as próximas gerações. Ele inclusive destacou a importência destes registros através de diferentes tecnologias, como vidéos, blogs na internet...

                                                                            
No dia (20/10), quarta o bolsista do projeto Maurício Neves ministrou a oficina "Documentário com Populações Tradicionais da Amazônia", em que falou da importância do jornalista ter sensibilidade ao trabalhar com as populações da Amazônia. Os participantes desta oficina conseguiram marcar uma entrevista na rádio UNAMA junto com os índios: Umassú, Arihêra, Maria e Arikassu. Os participantes da oficina filmaram a participação dos Aikewára na rádio.


No dia seguinte (21/10), Maria e Murué Suruí, participaram da oficina de grafismo indígena, em que foi explicado sobre o processo de preparação da tinta de jenipapo e da importância das pinturas corporais para a cultura Aikewára. Nesta oficina as índias pintaram os alunos com grafismos, que represetam diversos animais e plantas.

Na quinta (21/10), a professora Ivânia Neves, participou da mesa redonda "Pesquisa na Amazônia"sob o olhar atento de Tiapé Suruí. Ivânia falou do projeto e exibiu o filme Takaweté - A rede Aikewára, que rendeu muitos aplausos no final.


Para quem não pode ir à Semana de Comunicação da Unama, poderá ainda aprender mais da cultura Aikewára no Fórum Paraense de Letras, onde serão exibidos os filmes e alguns trabalhos direcionados a sociedades indígenas:

http://www.unama.br/forumdeletras/

Fica a dica!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Queimadas na terra indígena Sororó / Fire destroys part of Aikewara Indian reservation in the Amazon


Foto: Orlando Calheiros
Na terra indígena Sororó, sudoeste do Pará, os Aikewára estão muito tristes e apreensivos, o motivo: o fogo. Desde setembro, o fogo vem causando incontáveis prejuízos para os índios, tanto com a morte de animais que são suas caças e base da alimentação Aikewára, como a queimada de castanheiras que geram sua fonte de renda, pois comercializam as castanhas e é claro a devastação do Parque Ambiental, que é praticamente uma ilha verde cercada pelas enormes fazendas da região, onde só há pasto.
Sororo on indigenous land, in the middle of the Amazon forest, the Aikewára are very sad and apprehensive, the reason: the fire. Since September, the fire has caused untold damage to the Indians, both with the death of animals that are their prey and feed Aikewára basis, as the burning of chestnut trees that generate their revenue source, because trade nuts and of course the devastation Environmental Park, which is practically an island green surrounded by huge farms in the region where there is only grass.

Mairá Suruí, capitão da aldeia, chegou a ir até Marabá pedir ajuda das autoridades, porém, segundo ele, neste dia o Ministério Público não estava funcionando.
Maira Suruí, chief of the village, even went to the town of Maraba ask for help from the authorities, but was not attended by anyone.

Alguns Aikewára presentes em Belém, através dos meios de comunicação, como a TV RBA e a TV Record , fizeram um apelo para que sejam tomadas providências.
Some Aikewára in Belem, through the media, like RBA TV and Record TV , have called for steps to be taken.

Nossa terra é cortada por uma rodovia federal, mas nunca recebemos nenhuma idenização por isso!
Our land is cut by a federal highway, but never received any idenização for it!

Do ponto de vista da lei, se for preciso construir uma rodovia federal por cima da casa ou terreno de qualquer cidadão, este terá direito a uma indenização. Os índios são cidadãos, que votam, pagam impostos! Precisam também ter seus direitos garantidos!
Under Brazilian law, if you need to build a federal highway over the house or land of any citizen, shall be entitled to compensation. The Indians are citizens, who vote, pay taxes! They must also have their rights guaranteed!



 Foto: Orlando Calheiros
O fogo pode ter começado de pontas de cigarros que os motoristas que passam pela rodovia jogam, e que devido às temperaturas deste período do ano acabam por intensificar estas queimadas.
The fire may have started with cigarette butts that drivers fling when they pass by the highway, and that due to the temperatures this time of year ultimately strengthen these fires.

Também muitas coisas vem acontecendo devido a estrada cortar a terra indígena Sororó como cadáveres jogados na mata, lixo como vidro, plástico que é usado na vacina dos animais que e jogado também na mata.
Too many things going on because the road has cut the Indian land Sororó as corpses dumped in the woods, a lot of trash such as glass, plastic that is used in the vaccine for animals and also played in the woods.

É lamentáve! É triste!
It is unfortunate! It's sad!

 Foto: Orlando Calheiros

Lariza Gouvêa e Tiapé Suruí

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os Aikewára em Belém.

Quem segue este blog, gosta de ler os posts ou passa por ele de visita, agora vai ter a oportunidade de conhecer alguns dos índios de pertinho: Arihêra, Umussum, Murué, Tiapé, Arikassú e Maria virão a Belém especialmente para a VII Semana de Comunicação - Mediações e discursos: a comunicação na Amazônia.

Neste evento, ocorrerá o lançamento dos filmes do projeto "Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola".

Para aguçar os curiosos, aí vai uma prévia de um dos filmes que serão exibidos:



O evento também contará com uma oficina sobre grafismo indígena ministrada pelas índias Maria e Murué Suruí.

Está feito o convite!

Para saber mais acesse: http://semanadecomunicacao-unama.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Salvem o rio Xingu! Estamos todos na mesma floresta!


Foto: Monica Cruvinel
Rio Araguaia - São Geraldo do Araguaia, região das Serras Andorinhas, às proximidades da Terra Indígena Sororó.

Nas águas do rio Aragauaia, crianças brincam, barqueiros transportam pessoas de uma margem para outra por R$ 2,00, mulheres lavam roupa despreocupadas com olhares alheios.
No calor amazônico, o sorvete se derrete como gelo debaixo da torneira, as mãos sujas do sorvete de tapioca não desfazem o sorriso, ao observar o embalar cotidiano das pessoas que cercam o rio Araguaia.
É tudo de uma beleza quase utópica! Parece tão distante, que faz nos sentirmos em um programa-documentário trasmitido sexta à noite por um canal qualquer.

Mas o sol nos lembra a todo o tempo que tudo é real. E mesmo com uma vontade danada de se jogar no rio pra se refrescar do calor, a sensação que se tem é que devemos receber primeiro um convite, como se o Rio fosse encoberto por uma entidade divina que deveria informar se somos ou não bem vindos.Ele nos intimida.
O Rio sente! Ele sabe!
Em certas épocas do ano ele se recolhe, fica em silêncio meditando sobre as coisas que se passaram...barcos, peixes, gente.
Outras vezes ele se revolta com a total falta de cuidado e avisa que um dia poderá não mais voltar...
Nesses tempos de agora, ele "onda" a chorar: um dos seus irmãos corre grande perigo - o rio Xingu.
Não entende como o homem pode ser tão ingrato!
Os rios dão água, comida, a vitalidade ao homem, mas os homens insistem em querer agredi-lo, prende-lo, num discurso nazista "pelo bem maior", passando por cima de ávores, animais, pessoas, histórias.

Por que depois de tanto desenvolvimento tecnológico continua sendo imperativo para o homem destruir, matar...

O rio Araguaia, que fica perto da Terra Indígena Sororó, onde vivem os Aikewára, chora pelo Rio Xingu e pede ajuda a todos para que não desistam JAMAIS de tentar viver em um mundo mais justo:

Foto Ivânia Neves
Rio Xingu, em frente à Terra Indígena Kwatinemo, onde vivem os Asuriní do Xingu, que assim como os Aikewára, pertencem à imensa família Tupi.

Existe, hoje, uma mobilização internacional para evitar que seja constuída a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Nos links a seguir, você acessa um abaixo-assinado digital contra a construção de Belo Monte e assiste a um filme narrafo por Dira Paes, que explica de forma bem didática os problemas ambientais que seriam causados por esta construção.

Participe!

https://salsa.democracyinaction.org/o/2486/action/parebelomonte

http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E

http://www.youtube.com/watch?v=JcCpFBro-Lc

domingo, 12 de setembro de 2010

Saberes Indígenas

Esta postagem não trata especificamente do povo Aikewára, mas decidi fazê-la, porque as reflexões que aparecem dizem respeito a todas as sociedades indígenas. Recebi o link através do amigo Agenor Sarraf e achei interessante socializar com os amigos leitores deste blog. 
O autor da crônica a seguir é um dos mais respeitados pesquisadores sobre sociedades indígenas no Brasil, trata-se do professor Bessa Freire. Como é comum em seus texto,  "A sogra do Jacamim em busca da Beleza" nos apresenta um pouco da sabedoria milenar dos índios brasileiros e para completar, suas observações sobre a história nos dão uma aula de respeito à diversidade cultural.

A SOGRA DO JACAMIM EM BUSCA DA BELEZA


José Ribamar Bessa Freire
12/09/2010 - Diário do Amazonas

O Jacamim andava ciscando no terreiro e, com seu bico irrequieto, beliscava um inseto aqui, uma minhoca ali, uma sementinha acolá. Sua sogra, que assistia a cena, viu que tudo nele era desproporcional e deselegante. Pescoço pelado, curvo e compriiiiido. Cabecinha minúscula em cujo cocuruto emergia ridículo topete de penas eriçadas. Curtas, demasiado curtas eram suas asas. Altas, excessivamente altas suas pernas. Ela olhou aquele bicho desengonçado e, com a sinceridade que as sogras soem ter, disse:

- Meu genro, não me leve a mal não, mas você é feio! Muito, mas muiiiiiiito feio! Feio pra chuchu! Parece até que minha filha casou com um urubu!

Leia mais

Ivânia dos Santos Neves

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tempo de Estrela


Eu quero fazer poesia
desse índio que ri de tudo

da falta de rio, da falta de caça

Viver como a leveza de uma rede.
De punho forte e toco firme que a aguente
Não cai!!!

Que mesmo com todas as armadilhas e animais urbanos ferozes que encontram no caminho

Continuam a se embalar nas redes que seus antepassados ensinaram a fazer

E tão alto se embalam a ponto de alcançar estrelas


Eu quero fazer poesia desses índios
Que alcançam o céu com escada de flechas

Onde as estrelas são bichos, são gente

São espíritos que continuaram a se embalar

Resistiram tecendo dos fios de algodão: a rede;
das penas do papagaio: o ararau;
do jenipapo: a pintura
e de olhar as estrelas: as histórias....

Eu quero fazer poesia desse índio
Que tem um céu cheio de estrelas
Nesse tempo sem brilho!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Palestra: Grafismo corporal Aikewára: a dança das identidades escritas com jenipapo e urucum.


SABER DA FONTE

DIÁLOGOS SOBRE A CULTURA AMAZÔNICA.

O universo cultural da Amazônia tem inspirado inúmeros estudos e pesquisas acadêmicas. Esses registros desvelam patrimônios inestimáveis e plenos de sentido, cuja divulgação e apropriação pela sociedade se torna imprescindível.

É SABER DA FONTE, constituir um espaço de sucessivos diálogos culturais consagrados as culturas populares e identidades culturais amazônicas, com o compromisso da partilha dessas preciosas descobertas.

Grafismo corporal Aikewára: a dança das identidades escritas com jenipapo e urucum
Dr. Ivânia Neves - UNAMA
Os índios Suruí-Aikewára vivem atualmente no sudeste paraense e somam pouco mais de 300 índios. Depois de uma forte depopulação vivida no final dos anos de 1960, os 33 índios sobreviventes assumiram como principal compromisso de suas vidas conservar sua cultura. Neste processo de reestruturação social, em que precisaram negociar muitos de seus valores tradicionais com a cultura ocidental, as representações artísticas, que se constituem com os processos culturais e históricos por que passaram esta sociedade, representaram um dos mais significativos espaços de resistência. Em suas narrativas orais, suas músicas, nas pinturas corporais, na plumagem colorida, na confecção de suas redes tradicionais, das saias de algodão, dos maracás, dos arcos e flechas sobreviveu a tradição Aikewára. Nesta apresentação, o objetivo é mostrar a importância do grafismo corporal na afirmação da identidade Aikewára, analisando como os desenhos também passaram por um processo histórico de transformação.


Dia: 24.08.2010
Horário: 18h30
Local: Instituto de Artes do Para (Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica)
ENTRADA FRANCA



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Brincadeira na aldeia.



Há televisão na maioria das casas, mas as crianças, na maioria das vezes, só passam por ela...

Sem titubear, vão brincar!

Vão pra "rua"! Não se predem à tela.

Eles gostam muito de árvores: árvore de caju, de goiaba, de banana.

Correm atrás da bola, buscando um gol bonito!!!



Jogam bem! Levantam poeira, assim como na dança...
A dança entre as crianças vira uma competição de quem canta e dança mais bonito. Meninos versus meninas...
Quem fica na frente da fila é quem puxa, formando a roda. É só alegria!



Trecho final do filme O Menino Maluquinho ( 1994):
"É impressionante senhores, é impressionente!O Maluquinho voa na bola, e ele cai de lado, e ele cai de frente, e ele cai de pernas para o ar, e ele caia de bunda no chão (que goleiro maluquinho!) e ele dança no espaço com a bola nas mãos, ele pega todas, ele agarra todas."

Brincar de correr por uma desculpa qualquer, calar apelidos, pisada de pé.Correm no escuro, conhecem o terreno, cada galho, planta, montinho de areia, buraco, não caem nunca!

Brincam no açude...Viram cambalhota... Nadam...



Brincam com os bichos.A preguiça vira um filho nos braços da menina, que depois o solta, deixa livre, como sua mãe a deixa.

O jabuti vira o burro de carga, amarram uma caçambinha no casco, o periquito ganha o nome de Kurikinha.


Rolam na terra sem medo de sujar a roupa!
Não apenas sobrevivem, vivem!

São livres, sobretudo da caixa preta que aprisiona a criança da cidade, a televisão, mas ela não é essecial. O essecial está nesta cotidiana aventura na floresta que estas crianças vivem.O essecial se abriga no sorrisso de criança.

Todas as crianças Aikewára são "Meninos Maluquinhos" do Ziraldo!



Trecho final do filme O Menino Maluquinho ( 1994):

Mas teve uma coisa que o menino não conseguiu segurar: o tempo. E aí, o tempo passou, e como todo mundo, o menino maluquinho cresceu. Cresceu e virou um cara legal, mas um cara legal mesmo.E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um Menino Maluquinho, ele tinha sido um menino feliz!

domingo, 8 de agosto de 2010

Projeto "Crianças Suruí-Aikewára entre a tradição e as novas tecnologias" da UNAMA, no Jornal Nacional

Não era problema da conflito de terra, de prostituição, de políticos corruptos, de denúncias contra médicos ou policiais. Nesta última sexta-feira, 06 de agosto, o Pará esteve no Jornal Nacional, da Rede Globo, por causa do nosso projeto.

Saiu a matéria realizada na Terra Indígena Sororó, dos índios Aikewára!



Todos sabem bem o poder mítico da Rede Globo no Brasil. E é muito importante que a matéria tenha traduzido nossa forma de pensar a realidade das sociedades indígenas atualmente, sociedades que vivem nas fronteiras.

A matéria não tratou os Aikewára como exóticos e nem demonstrou o preconceituoso estranhamento diante de índios que convivem com o novo.

Este projeto é muito significativo para os Aikewára e para nós, como universidade. Ficamos extremamente felizes de poder colocar nossa pesquisa em diálogo com a cultura Aikewára. O projeto, do curso de Comunicação Social da UNAMA mostra como a tecnologia pode ter responsabilidade social e atesta nosso compromisso com as populações tradiconais da Amazônia.

A única coisa que lamento é que não estava lá com os Aikewára, quando passou no Jornal Nacional. Queria vê-los. Queria inclusive que este texto tivesse sido escrito em conjunto com eles. A próxima postagem sobre esta matéria vai trazer a impressão deles.
No G1 também há uma matéria escrita sobre o projeto. Leia mais...

Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Jornalista Poliana Abritta destaca projeto Crianças Suruí-Aikewára da Universidade da Amazônia

Como já mostramos aqui no blog, em junho de 2010, uma equipe da Rede Globo esteve na Terra Indígena Sororó para fazer uma matéria sobre o projeto, que ainda não foi ao ar e que estamos aguardando ansiosamente.
No site do Criança Esperança, já estão no ar os depoimentos dos jornalista que fizeram as matérias e Poliana ficou bastante entusiasmada com os índios Aikewára.




















Agora é aguardar a matéria! Um abraço a todos!
Ivânia dos Santos Neves

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A conservação da Amazônia e a Terra dos índios Aikewára

The conservation of the Amazon and indigenous land Aikewára

Uma das questões mais preocupantes deste início do século diz respeitos ao meio-ambiente. O que precisamos fazer para conter a degradação? As resposta a esta questão são de diversas ordens, atende a interesses políticos, econômicos, ecológicos, culturais, históricos. No centro destas discussão, a Amazônia. Neste universo tão heterogêneo, muitas sociedaes indígenas, com histórias e culturas bem diferentes.

Entrada Terra Indígena Sororó
Foto: Monica Cruvinel
Os Aikewára, no meio deste universo amazônico, vivem hoje na Terra Indígena Sororó, entre os municípios de São Domingos do Araguaia e São Geraldo do Araguaia. Um dos motivos de orgulho desta sociedade é a presevação da floresta. Eles se definem como povo da floresta...
Nesta foto de satélite, a seguir, podemos observar um grande quadrado verde, que demarca a única parte desta região em que a floresta está conservada. Os limites deste quadrado marcam os limites da cultura Aikewára. 
The satellite photo shows a large green square, which marks the only part of the area where the forest is conserved. The limits of this square marks the limits of culture Aikewára.

Chega-se até a Terra Indígena Sororó através da rodovia BR-153. Como se trata de uma região devastada, as temperaturas são muito elevadas e faz muito calor no percurso até lá. Mas, quando entramos em Sororó, imediatamente, o clima muda. Percebe-se logo que a conservação da floresta interfere no meio ambiente. 

Em destaque, no mapa, a Bacia Araguaia-Tocatins. 01- Rio do Araguaia e 02- Rio Tocantins. A Terra Indígena Sororó se localiza entre estes dois rios. No percurso de carro, partindo de Belém, chegamos primeiro a Marabá, que fica às margens dos Rio Tocantins. Seguindo pela BR-153, chegamos a Sororó. Seguindo mais 01 hora de carro, chegamos às margens do Rio Araguaia, em São Geraldo do Araguaia.

Ivânia dos Santos Neves

terça-feira, 29 de junho de 2010

Oficina de fotografia - A foto através do olhar Aikewára.

Fotografar é registrar, guardar lembranças. Às vezes, ao ver uma foto, choramos, rimos, ficamos intrigados.O fotográfo usa a imaginação e intuição, mas para mim o verdadeiro fotográfo é aquele que usa o afeto, fotografa o que ama e quem ama.

A última oficina realizada este mês, do projeto “Crianças Suruí Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola”, foi de fotografia. Nela crianças e jovens tiveram a oportunidade de registrar sua cultura pelo seu próprio olhar.

 Foto: Takwari Suruí

Os menores, entre sorrisos e mãos trêmulas, tiravam fotos dos mais velhos, amigos, família; os maiores elaboravam as fotos pedindo para outras crianças aikewára vestirem-se com o ararau, exibindo as pinturas corporais.

Eufóricos a cada apertar de botão, queriam mais. Repensavam outras coisas a fotografar, davam sugestões uns para os outros do que deveria ser captado pelas lentes da máquina fotográfica.

 Foto: Manerrassa Suruí

Houve foto da aldeia, do velho índio Arini, do açude onde se banham, do porcão do mato criado como bicho de estimação, dos araraus pendurados na parede.
A cada flash, um brilho acendia no olhar infantil de novidade.
As crianças amaram fotografar!
Não era mais o "kamará" que pedia "pose" mas, sim o próprio irmão, a prima, o amigo. Era o índio despindo sua alma para outro índio...

Quando montamos o foto varal feito na Casona, no centro da aldeia, a ansiedade era para receber a foto e mostrar aos pais. Procuravam fotos em que apareciam, reparavam como guerreiros as fotos que haviam batido.


Entre papel, cola, corda e fotos, a exposição de fotografia foi um revelar de possibilidades da inclusão dos Aikewára nas novas tecnologias.

Os Aikewára desta vez não ficaram como espectadores de seu registro, sua história. Tiveram autonomia para decidir o que guardar, para em outro momento complementar sua cultura de oralidade com o rememorar de uma fotografia.




sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sapurahai e a Rede Globo - Um "Estar Lá" bem diferente

Sapurahai and Globo TV - A "Be There" very different

No último dia 21 de junho, nós, a equipe de Belém e os índios Aikewára, que estamos realizando o projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tercnologias na escola, recebemos uma equipe da Rede Globo. Como era de se esperar, por todo o significado mítico da Globo, o clima era de ansiedade e de nervosismo.

On the last day June 21, the project Children Suruí-Aikewára: between tradition and new tercnologias the school received a team from Globo TV, the largest television network in Brazil. Of course, for all the mythic significance of the Globo TV, was the climate of anxiety and nervousness.


Índios Aikewára e Equipe da Rede Globo
Foo: Gilvandro Xavier 

Os Aikewára estavam felizes àquela manhã. Acordaram cedo, atenderam atentamente às nossas solicitações em relação ao que deveria ser apresentado, mas foram além...

The Aikewára were happy that morning. They woke up early, attended to our requests carefully about what should be presented, but were also ...


Caruji

Por iniciativa de Mairá, ainda na noite anterior, orquestrados por Arihêra, eles começaram a preparar o caruji, um mingau feito com macacheira, castanha do Pará e urucum.

The previous night, led by Arihera, they began to prepare the caruji a porridge made from cassava, nuts native and annatto.

Caruji


 No início da manhã, a aldeia estava preta e vermelha. Os cheiros do urucum e do jenipapo se espalhavam.Pela manhã, pouco antes da Rede Globo chegar, os últimos e fundamentais retoques. Eles finalizaram os desenhos corporais com a tinta vermelha de urucum...

In the early morning, the village was black and red. The smells of annatto and jenipapo spread.
By morning, just before the Globo TV reach the last and crucial touches, they finalized the design body with red dye annatto...


Pintura corporal Aikewára


Poliana, a jornalista que fazia a matéria, começou entrevistando algumas crianças que estavam se pintando de jenipapo, na parte de trás da casa de Maria Suruí. De repente, entra o Sapurahai...

Poliana, the journalist who made the field, began interviewing children the few who were painting jenipapo in the back of the house of Maria Suruí. Suddenly enter the Sapurahai ...


Sapurahai 1
Foto: Alda Costa

Puxados por Arikassú, que exibia um belíssimo ararau, entraram os homens dançando. Todos pintados de Sawara Pixum - Onça Preta. A força da cultura Aikewára se materializava em seus corpos pintados, no movimento que faziam com os maracás e principalmente, no movimento dos pés...
Quando os Aikewára entraram na praça central da aldeia, tudo parou.

Led by Arikassú, who displayed a beautiful ararau, entered the men dancing. All painted Sawara Pixum - Black Jaguar. The strength of culture Aikewára materialized in their bodies painted in the movement that made the maracas and foremost, the movement of the feet...
When Aikewára entered the central square of the village, everything stopped.


Tiapé Suruí pintado de Sawara Pixuna
Foto: Alda Costa
Nós e a equipe da Globo mudamos o rumo inicial da matéria.
O Sapurahai se impunha...

The initial direction of the field has changed. The Sapurahai happened ...

Sapurahai 03
Foto: Alda Costa

Primeiro os homens mais velhos, depois os mais novos, em seguida os meninos.
First older men, after the young, then boys.


Sapurahai 2
Foto: Alda Costa

Quando se formou o círculo com os homens, entraram as meninas pintadas e usando suas saias tradicionais.

 Sapurahai 3
Foto: Alda Costa

Provavelmente, na hora da edição, as imagens não vão aparecer na sequência em que aconteceram. O que é natural. Mas quem estava lá, nunca vai esquecer aquele momento.
Isso acontece quando o "Estar Lá" da antropologia, tão badalado na obra de Clifford Geertz, ganha um novo sentido. Quando o "Estar Lá" constitui a memória de alguns dos melhores momentos de nossas vidas!

Probably the time of publishing, the images will not appear in the sequence occurred. What is unnatural. But who was there will ever forget that moment.
This happens when the "Being There" anthropology, so fashionable in the work of Clifford Geertz, gains a new meaning. When the "Be There" is the memory of some of the best moments of our lives!

 

terça-feira, 22 de junho de 2010

Estamos conectados

Nós três, eu. Murué e Mairá acabamos de entrar definitivamente no mundo da internet.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Hibridizações Aikewára: a dança das identidades nas novas casas de alvenaria

Hybridizations Aikewára: the dance of identities in the new brick houses
Hybridations Aikewára: la danse des identités dans les maisons de briques de nouvelles

- Por que vocês construíram a escola de alvenaria e não da forma tradicional como fazem suas casas?
- Ivânia, quem gosta de casa de palha é antropólogo e linguista. Estas casas não duram mais que seis meses e a gente tem sempre que ficar ajeitando- respondeu a minha amiga Mureyru Suruí. (2003)
- Why did you built the school of masonry and not the traditional way as they make their homes?
- Ivania, who likes to straw house is an anthropologist and linguist. These houses do not last more than six months and we always have to keep adjusting, "replied my friend Mureyru Suruí. (2003)

"As novas casas são legais, mas a minha casa mesmo é a casa antiga. Eu vou dormir na casa nova, mas eu vou passar o dia na casa antiga!" - Umassú Suruí-Aikewára
"The new houses are good, but my house is the same old house. I'll sleep in the new house, but I'll spend the day at the old house!" - Umassú Suruí-Aikewára

"As casas novas são boas e não vamos ter que construir logo outras. E vocês ficam pensando que é quente, mas não é não!" - Tiapé Suruí-Aikewára
"New houses are good and we will not have to build once more. And you are thinking it is hot, but it is not!"- Tiapé Suruí-AikewáraEm abril de 2010



Talvez a crise da forma de pensar o patrimônio se manifeste de forma mais aguda em sua valorização estética e filosófica. O critério fundamental é o da autenticidade, conforme proclamam os folhetos que falam sobre os costumes folclóricos, os guias turísticos quando exaltam o artesanato e as festas “autóctones”, os cartazes das lojas que garantem a venda de “genuína arte popular”. Mas o mais importante é que tal critério seja empregado na bibliografia sobre patrimônio para demarcar o universo de bens e práticas que merece ser considerado pelos cientistas sociais. É como se não pudesse se levar em conta que a atual circulação e consumo dos bens simbólicos limitou as condições de produção que em outro tempo tornaram possível o mito da originalidade, tanto nas artes das elites e da popular quanto no patrimônio cultural tradicional.
Nestor Canclini

Antes da demarcação de suas terras, os Aikewára costumavam construir suas aldeias por toda extenção da região da Serra das Andorinhas, às proximidades do Rio Araguaia. Depois da demarcação, esta prática social se circunscreveu apenas á Terra Indígena Sororó.
Prior to the demarcation of their lands, Aikewára used to build their villages in the Serra dasAndorinahs, the vicinity of the Rio Araguaia. After the demarcation, this social practice merely confined to the Indigenous Land Sororo.
Foto: Monica Cruvinel
Casas tradicionais Aikewára / Traditional houses Aikewára

Foto: Monica Cruvinel
Casa tradicional Aikewára Geração I / Traditional house Aikewára Generation I

Foto: Monica Cruvinel
Casa Tradicional Aikewára - Geração II / Traditional house Aikewára Generation II

Recentemente, grande parte dos 305 índios se tranferiu para a aldeia nova, a primeira com casas de alvenaria.
Recently, much of the 305 Indians he moved to the new village, with brick houses

Foto: Gilvandro Xavier
Índios Aikewára durante a realização de uma dança liderada por Arikassu, ao fundo, uma das casas novas de alvenaria. / Indians Aikewára while performing a dance led by Arikassu in the background of a new brick homes.

Em março de 2010, na Terra Indígena Sororó dos índios Suruí-Aikewára, o Governo Federal entregou um conjunto de 30 casas populares feitas de alvenaria.
In March 2010, Indian Land Indian Sororo, the Federal Government delivered a set of 30 housing made of masonry.
Foto: Gilvandro Xavier
Panorâmica da aldeia nova / Overview of the new village

Esta nova arquitetura contrasta com as casas tradicionais desta sociedade. Podemos ver nesta fotografia como os Aikewára se apropriaram destas novas casas e construíram em anexo um compartimento de palha e madeira. Estas apropriações traduzem as fronteiras culturais em que eles vivem. Se por um lado aceitam a interferência do material e das formas ocidentais, por outro, incorporam elementos de seu patrimônio arquitetônico tradicional.
This new architecture contrasts with the traditional houses of this society. We can see this photo as Aikewára appropriated these new homes and built a compartment attached straw and wood. These appropriations reflect the cultural boundaries in which they live. If on one hand accept the interference of Western forms of material and, second, incorporate elements of their traditional architectural heritage.


Foto: Monica Cruvinel
Hibridizações Aikewára 
Casa tradicional - GeraçãoIII / Traditional house Aikewára Generation III

A disposição destas casas criou um espaço central de encontros sociais. Nesta nova aldeia, eles fizeram questão de construir uma casona com palha de babaçu e madeira, materiais das suas casas tradicionais.
The provision of these houses has created a central space for social gatherings. In this new village, they were keen to build a Big House with straw babassu and wood materials from their traditional homes.

Foto: Gilvandro Xavier
Casona, no centro da aldeia nova / Big House in the center of the new village

Foto: Gilvandro Xavier
Confecção da rede tradicional Aikewára na nova Casona / Manufacture of the traditional hammock Aikewára - New Big House

Na última aldeia que eles  próprios construiram, onde ainda mora uma parte da população, há uma Casona feita de alvenaria.
At the last village that they themselves built, where he still lives part of the population, there is a Big House made of masonry.

Foto: Gilvandro Xavier
Casona antiga, durante a realização de oficna do projeto Crianças Suruí-Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola. / Old Big house, during the execution of the project Children Suruí-Aikewára: between tradition and new technologies.

Hoje, a maioria das sociedades indígenas vive entre as fronteiras de sua tradição e a forte influência das culturas ocidentais, que chegam pelo rádio, pelas revistas, pela televisão, pela internet, pela presença dos “kamará”, pelas viagens que realizam às cidades.

Só não podemos nos esquecer que, quando possível, são eles que fazem a seleção dos espaços ocidentais por onde querem transitar. Também não devemos desconsiderar que estas sociedades encontram suas próprias estratégias de negociação com a cultura do outro, muitas vezes se apropriando de objetos culturais estrangeiros e reatualizando, a partir deles, sua própria tradição.

A construção destas novas casas, com seus compartimentos tradicionais anexados, a presença de uma Casona de palha são bons exemplos desta apropriação. A história sempre continua, ainda que muitos de nós, “kamará” imaginem que os índios ficaram presos no tempo que antecedeu ao contato.

Today, most indigenous peoples living between the borders of their tradition and the strong influence of western cultures, which reach the radio, in magazines, on television, the Internet, by the presence of "kamara" for travel to the Indians themselves to perform cities.
we can not forget that, where possible, are they making the selection of areas where Westerners want to pass. We should also not ignore that these society find their own trading strategies with the culture of another, often appropriating foreign cultural objects and reviving, from them, their own tradition.
The construction of these new houses, with their traditional compartments attached, the presence of a Big House of straw are good examples of this appropriation. The story always continues, even though many of us, "kamara" imagine that the Indians were trapped in the time leading up to the contact.

Ivânia dos Santos Neves


terça-feira, 1 de junho de 2010

Projeto inaugura canal no youtube.

O projeto Crianças Suruí-Aikewára, inaugurou neste final de semana seu canal no youtube. Um trailer sobre os filmes que estão sendo produzidos foi postado. Segundo a professora Ivânia Neves, coordenadora do projeto, 4 filmes curta metragem serão produzidos sobre a cultura Aikewára. O objetivo deste material é servir de apóio didático à escola Suruí, além de valorizar a cultura dos índios. Os filmes do canal estão disponíveis na barra lateral do blog.



Veja mais

Canal Projeto Aikewára

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Projeto apoiado pelo Criança Esperança coloca cultura dos índios Aikewára nas novas tecnologias.

Mais de 100 jovens entre 5 e 18 anos são beneficiados.



Por Maurício Neves




Os Aikewára se reuniam na frente de uma televisão de LCD. Na tela, o menino Sari cantava a música para toda aldeia, depois a índia Arihêra contava a história das comidas. Pela primeira vez na terra indígena Sororó, os Aikewára eram os protagonistas do filme. Essa é a proposta do projeto da Universidade da Amazônia - Unama “Crianças Suruí Aikewára: entre a tradição e as novas tecnologias na escola”. Afinal, atualmente toda casa Suruí possui uma televisão e alguns deles já entraram em contato até mesmo com a internet, o problema é que quase nada da cultura Aikewára foi produzido para estas mídias.

Coordenado pela lingüista e antropóloga Ivânia Neves e pela jornalista Alda Costa, professoras doutoras da Unama, o projeto foi um dos selecionados pelo Criança Esperança da Rede Globo em parceria com a UNESO para o ano de 2010. O projeto vai atender mais de 100 jovens entre 5 e 18 anos. Ivânia explica que ao longo do projeto serão produzido 4 livros e 4 filmes didáticos para escola Aikewára. O objetivo destes materiais é conciliar a tradição cultural dos índios Suruí com as novas tecnologias, de tal maneira, que sirvam de apoio à estrutura de ensino.


Os Aikewára têm se mostrado bastante empolgados com o projeto. Preservar a cultura é uma grande preocupação dos índios mais velhos, já que muitas de suas crianças não falam ou escrevem em Aikewára. Ajudar no ensino da língua tradicional foi o principal pedido que Mairá Suruí, uma das lideranças, fez à equipe durante a primeira reunião do projeto. Neste sentido, a contribuição do projeto será grande. Os dois primeiros livros, que serão bilíngües (Aikewára/português) já estão em fase de edição, um será destinado à alfabetização das crianças e é resultado de uma parceria do projeto com as professoras Suruí.


O segundo livro é sobre os grafismos Aikewára e atende às solicitações dos próprios índios, especialmente de Maria Suruí, que pediu à equipe que registrasse os desenhos, para que não se perdessem no tempo. Cada pintura corporal tem seu significado, muitos representam animais como a onça, o sapo, a anta. Segundo Ivânia a pintura corporal tem uma grande representatividade nas culturas indígenas “Para muitas sociedades indígenas, estas pinturas se assemelham ao significado que a roupa tem para nós. De certa forma, ao se pintarem, eles se vestem da cultura tradicional”, explica.


Outra importante atividade do projeto são as oficinas. Ao longo do ano, acontecerão 8 oficinas. A primeira oficina foi sobre a comida Aikewára. Arihêra, Maria e as outras índias mais velhas se reuniram com a equipe do projeto e Maria Eliane, nutricionista da Secretaria de Saúde de São Geraldo do Araguaia. Elas definiram o cardápio que seria servido durante as atividades do projeto. Ivânia conta que os índios têm hábitos alimentícios diferentes. Segundo Arihêra “Nós não comemos carne de vaca. Não comemos também a carne de macaco, porque a perna da gente fica mole!”

Nesta oficina definiram também a construção de uma horta, onde serão plantados alimentos que visam suprir algumas carências nutricionais dos Aikewára, como a falta de ferro. Segundo as índias é alta a incidência de anemia entre os Suruí.

Cena do filme “A comida Aikewára”: Maria e Arihêra na oficina de nutrição

Os vídeos têm causado um verdadeiro frenesi entre os Aikewára. Arihêra, explica: “Eu gosto que me filmem, se eu morrer, os filhos dos meus netos vão poder saber das nossas histórias”. Para Mahú, o atual cacique: “Esta é uma oportunidade dos mais novos conheceram as histórias Aikewára.”


Os Suruí Aikewára são índios castanheiros que vivem na terra indígena Sororó (um grande quadrado de floresta preservada) entre os rios Araguaia e Tocantins no sul do Pará. Segundo o ultimo senso da aldeia, os Aikewára são pouco mais de 300 índios.